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A dieta carnívora, que consiste em consumir exclusivamente produtos de origem animal e eliminar completamente alimentos vegetais, vem ganhando destaque nas redes sociais e atraindo seguidores em busca de supostos benefícios à saúde. Com milhões de publicações usando hashtags como #carnivore, a tendência gerou curiosidade entre nutricionistas e pesquisadores sobre seus efeitos reais no organismo.
Uma revisão recente publicada na revista Nutrients analisou de forma sistemática os estudos disponíveis sobre a dieta carnívora, levantando evidências sobre seus efeitos na saúde e na completude nutricional. O levantamento, conduzido por pesquisadores especializados, identificou que a pesquisa científica sobre o tema ainda é limitada, mas apresenta crescimento nos últimos anos.
Como o estudo foi conduzido
Para mapear a literatura disponível, os pesquisadores realizaram uma revisão de escopo, metodologia que permite reunir e analisar todos os estudos publicados sobre um tema em desenvolvimento. Foram incluídos apenas trabalhos com humanos que seguiam a dieta carnívora. Ao final, nove estudos publicados entre 2021 e 2025 atenderam aos critérios de inclusão.
Entre os trabalhos analisados estavam cinco estudos de caso, dois levantamentos em redes sociais, um estudo exploratório e um estudo de modelagem comparativa. Segundo os autores, o número reduzido de estudos evidencia a escassez de pesquisas formais sobre o tema e exige cautela na interpretação dos resultados.
Benefícios relatados por adeptos
A revisão revelou que muitos seguidores da dieta relataram melhorias significativas em saúde geral, saciedade, sono, clareza mental e desempenho físico. Estudos envolvendo mais de 2 mil participantes indicaram que alguns exames laboratoriais também apontaram reduções em marcadores de inflamação e melhor função hepática, reforçando os relatos subjetivos dos adeptos.
Riscos e lacunas nutricionais
No entanto, os pesquisadores alertam para riscos importantes. Muitos planos de refeições carnívoras apresentaram deficiências nutricionais graves, como ingestão insuficiente de fibras — em média, menos de 1 grama por dia, bem abaixo do recomendado — e de cálcio, frequentemente inferior a 800 mg diários, abaixo da quantidade mínima de 1.000 mg para adultos.
Além disso, os exames laboratoriais mostraram aumentos significativos do colesterol LDL (“ruim”) e do colesterol total em vários participantes. Embora pessoas com condições metabólicas preexistentes tenham apresentado melhora em triglicerídeos e hemoglobina A1c, indivíduos saudáveis experimentaram elevação desses marcadores, indicando possíveis efeitos adversos em longo prazo.
Limitações e variações da dieta
Os estudos analisados tinham tamanho amostral pequeno e duração curta, o que impede conclusões sobre os efeitos da dieta a longo prazo. Além disso, não existe uma definição única de dieta carnívora: alguns seguidores consomem apenas carne vermelha, sal e água, enquanto outros incluem ovos, laticínios, peixes e pequenas quantidades de mel. Essa diversidade dificulta extrapolar resultados para todos os praticantes.
Recomendações dos especialistas
Embora os relatos de benefícios a curto prazo sejam atraentes, especialistas alertam que confiar exclusivamente em produtos de origem animal pode gerar deficiências nutricionais sérias sem suplementação adequada. Nutricionistas recomendam uma dieta equilibrada, rica em fibras, proteínas vegetais, grãos integrais, frutas e legumes, para garantir ingestão adequada de todos os nutrientes essenciais.
A revisão publicada no Nutrients apresenta um quadro complexo: a dieta carnívora pode trazer benefícios temporários para alguns, mas também acarreta riscos claros à saúde, especialmente em relação a fibras, cálcio e colesterol. Até o momento, a melhor evidência científica ainda respalda uma alimentação variada e balanceada, que inclua diferentes grupos alimentares e priorize a ingestão de nutrientes essenciais para a saúde a longo prazo.