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A atividade industrial da China voltou a se contrair em julho, acumulando seu quarto mês consecutivo em queda e evidenciando o enfraquecimento estrutural da economia sob o regime de Xi Jinping. Segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (31) pela Escritório Nacional de Estatística (ONE), o índice de gerentes de compras (PMI) caiu para 49,3 pontos, abaixo do limiar de 50 que separa a expansão da contração, e também abaixo do registro de junho (49,7).
O recuo supera as previsões do mercado e reflete a deterioração da segunda maior economia mundial, afetada tanto por seus desequilíbrios internos quanto por uma crescente desconfiança internacional. A analista Zichun Huang, da Capital Economics, alertou que “a economia chinesa perdeu impulso em julho, com sinais de fraqueza na indústria, nos serviços e na construção”.
Dos cinco subíndices que integram o PMI manufatureiro, apenas produção e prazos de entrega se mantiveram em zona positiva. O restante — novos pedidos, estoques e emprego — continuaram em contração, o que evidencia um problema mais profundo nas expectativas de demanda e na capacidade operacional das fábricas chinesas.
Apesar das tentativas propagandísticas de Pequim para projetar estabilidade, o regime enfrenta uma crescente pressão pela falta de resultados concretos após promessas reiteradas de reativação. A crise no setor imobiliário, o estagnamento do consumo interno, o desemprego juvenil recorde e a desconfiança empresarial seguem sem solução, enquanto as medidas do Partido Comunista não conseguem reverter a tendência.
A Escritório Nacional de Estatística atribuiu parte do retrocesso a condições meteorológicas extremas — como inundações e ondas de calor —, embora especialistas tenham apontado que a queda vai além de fatores climáticos. “A demanda está enfraquecendo”, observou Huang.
Um dos indicadores mais sensíveis é o de novos pedidos de exportação, que voltou a despencar apesar de uma breve melhora anterior, impulsionada pela trégua tarifária com os Estados Unidos. Segundo a Capital Economics, os altos impostos americanos voltaram a impactar, mas a maior parte da fraqueza tem causas domésticas.
A desaceleração também não se limita à indústria. O índice PMI não manufatureiro — que inclui serviços e construção — também mostrou uma queda, passando de 50,5 em junho para 50,1 em julho, seu nível mais baixo desde novembro do ano passado. O componente da construção foi o mais afetado, ao cair de 52,8 para 50,6, enquanto os serviços ficaram à beira da contração.
“A queda na construção não pode ser explicada apenas pelo clima”, afirmou a analista, acrescentando que o impulso da infraestrutura ligada aos gastos fiscais está se esgotando, e que a construção residencial continua sob pressão.
O PMI composto, que agrupa a evolução de todos os setores, desceu de 50,7 para 50,2, refletindo uma desaceleração generalizada. Para os analistas, essa deterioração evidencia a falta de reação efetiva por parte das autoridades chinesas, que mantêm uma postura ambígua enquanto o país perde competitividade global.
Nesse contexto, Pequim retomou negociações comerciais com Washington esta semana, embora sem avanços concretos. O diálogo ocorreu em meio a uma trégua tarifária cujo prazo expira em 12 de agosto. A ausência de resultados reforça o ceticismo sobre a vontade real do regime chinês de corrigir seus desequilíbrios estruturais e se comprometer com regras claras no comércio internacional.
“Duvidamos que o resto do ano mostre uma melhora significativa”, concluiu a Capital Economics, ao apontar tanto a fraqueza das exportações quanto a falta de medidas contundentes do poder central. Em um clima de desconfiança, o modelo econômico chinês mostra sinais de esgotamento enquanto aumenta a pressão internacional sobre Pequim.
(Com informações da EFE e AFP)