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O Banco Central (BC) reforçou nesta terça-feira (23), na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que a taxa Selic deve permanecer em 15% por um “período bastante prolongado” para garantir a convergência da inflação à meta de 3,0%.
Segundo o documento, os dados recentes de atividade econômica trazem “mais convicção” de que a desaceleração do país ocorre conforme o cenário previsto. A ata destaca que, embora as últimas leituras da inflação apresentem melhora, os níveis ainda estão incompatíveis com o objetivo definido pelo BC.
O Copom manteve a Selic em 15% pela segunda vez consecutiva na semana passada, nível que não era registrado desde julho de 2006. De acordo com o BC, o ciclo de alta de juros, iniciado em setembro de 2024, elevou a taxa em 4,5 pontos percentuais, e a manutenção atual marca uma nova fase em que os impactos acumulados do ajuste serão avaliados antes de qualquer novo movimento.
“Após uma firme elevação de juros, o Comitê optou por interromper o ciclo e avaliar os impactos acumulados. Agora, na medida em que o cenário tem se delineado conforme esperado, o Comitê inicia um novo estágio em que opta por manter a taxa inalterada e seguir avaliando se, mantido o nível corrente por período bastante prolongado, tal estratégia será suficiente para a convergência da inflação à meta”, afirma a ata.
O BC projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingirá 3,4% no primeiro trimestre de 2027. Apesar de reconhecer uma moderação gradual da atividade econômica, uma leve redução na inflação corrente e algum recuo nas expectativas, o Copom ressaltou que seguirá “vigilante” e “não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado”.
A postura rígida da autoridade monetária ocorre em meio a preocupações da equipe econômica sobre os efeitos de juros elevados por período prolongado, que podem impactar a atividade econômica e a arrecadação de impostos. Na segunda-feira (22), o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo teme a “dose do remédio”.
No cenário externo, a ata cita incertezas globais e destaca que a redução de juros nos Estados Unidos teve maior impacto no mercado internacional do que problemas estruturais de países desenvolvidos.
Em agosto, o IPCA anualizado foi de 5,13%, mas a meta do BC é de 3%. A autoridade monetária enfatiza que seguirá monitorando o cenário econômico e os indicadores de inflação para manter a política monetária adequada ao cumprimento da meta.