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O governo federal atingiu um patamar inédito na arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). De acordo com dados divulgados pela Receita Federal nesta segunda-feira (22), o país arrecadou R$ 77,55 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, o maior valor para o período desde o início da série histórica, em 1995.
O resultado representa uma alta real de 19,9% (já descontada a inflação) em relação aos mesmos meses de 2024. O montante acumulado até agora já supera, inclusive, toda a arrecadação de IOF do ano passado inteiro, que foi de R$ 71,51 bilhões.
Os motivos do recorde
Segundo o Fisco, o desempenho recorde é reflexo direto de um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aumentou as alíquotas do imposto. Os principais pilares dessa alta foram:
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Saída de moeda estrangeira: Operações de câmbio ficaram mais caras.
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Crédito para empresas: Aumento na tributação sobre empréstimos para pessoas jurídicas.
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Títulos mobiliários: Taxação sobre papéis e valores mobiliários.
Apenas no mês de novembro, o governo arrecadou R$ 8,61 bilhões com o tributo, um salto de quase 40% em termos reais na comparação com novembro de 2024.
Disputa com o Congresso e o STF
O caminho para este aumento de carga tributária foi marcado por um intenso “braço de ferro” político. Em maio, o governo anunciou o aumento do tributo, sofreu resistência e chegou a recuar parcialmente. O Congresso Nacional chegou a derrubar o decreto presidencial em junho, mas o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Corte garantiu uma vitória ao governo, mantendo os efeitos do decreto. Para pacificar a relação com os parlamentares, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, costurou um acordo para recalibrar as taxas, resultando em uma carga tributária que, embora menor do que a planejada inicialmente, ainda é significativamente mais onerosa que a anterior.
O futuro das receitas
Apesar de vitórias no IOF, o governo sofreu reveses, como a derrubada de uma Medida Provisória (MP) que pretendia arrecadar R$ 31,4 bilhões taxando fintechs e casas de apostas.
Como alternativa, na última quarta-feira (17), o Congresso aprovou o PLP 128/2025, que:
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Reduz benefícios fiscais;
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Eleva a tributação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP);
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Taxa apostas esportivas (bets) e fintechs.
Com essa nova medida, a equipe econômica espera abrir um espaço de pelo menos R$ 22,4 bilhões no Orçamento de 2026.