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O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter estáveis as taxas de juros em sua primeira reunião de política monetária do ano, fixando o intervalo entre 3,50% e 3,75%. A decisão foi aprovada por dez votos a dois no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e reflete um cenário de crescimento econômico sólido e de estabilização do mercado de trabalho. A pausa ocorre após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual nas reuniões anteriores, motivados por preocupações com o esfriamento do emprego.
A definição não foi unânime. Os diretores Stephen Miran e Christopher Waller, considerados próximos do presidente Donald Trump — que tem pressionado publicamente por reduções mais rápidas e profundas dos juros — votaram por um novo corte de 0,25 ponto. Waller, inclusive, é citado como possível sucessor de Jerome Powell na presidência da Fed, cujo mandato termina em maio. Trump já afirmou que deve anunciar em breve o nome do novo presidente da instituição, em meio a um ambiente de tensão crescente sobre a independência do banco central.
No comunicado oficial, a Fed destacou que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido, enquanto a inflação permanece um pouco elevada. O crescimento do emprego desacelerou, mas a taxa de desemprego deu sinais de estabilização, ficando em 4,4% em dezembro. A autoridade monetária retirou do texto referências a riscos maiores para o mercado de trabalho, indicando menor preocupação com uma deterioração rápida do emprego.
O documento ressalta ainda que o alcance e o momento de futuros ajustes na política monetária dependerão dos dados econômicos e da evolução das perspectivas macroeconômicas. A Fed afirmou que o nível de incerteza segue elevado e que está pronta para alterar sua postura, se necessário, acompanhando de perto inflação, emprego e impactos de fatores internacionais.
A pausa no ciclo de cortes ocorre em um contexto de divisões internas na Fed e de pressões políticas. Apenas 12 dos 19 integrantes do comitê têm direito a voto, incluindo os sete membros do Conselho de Governadores, o presidente do Fed de Nova York e quatro presidentes regionais. Em 2025, Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis), Lorie Logan (Dallas) e Anna Paulson (Filadélfia) integram o grupo votante e já demonstraram ceticismo quanto à necessidade de novos cortes imediatos.
Paralelamente, a Fed enfrenta pressões inéditas da Casa Branca e do Congresso. Jerome Powell revelou que o Departamento de Justiça emitiu intimações no âmbito de uma investigação criminal relacionada à reforma do prédio-sede do banco central, episódio que ele classificou como uma tentativa de retaliação por não acelerar a redução dos juros. Além disso, a Suprema Corte analisa a tentativa de Trump de destituir a governadora Lisa Cook por supostas irregularidades hipotecárias — uma medida sem precedentes na história centenária da instituição.
Nas projeções econômicas, a Fed estima que os juros fiquem entre 3,6% e 3,9% em 2025, com queda gradual até que a inflação alcance a meta de 2% em 2028. A previsão de crescimento do PIB foi revisada para cima, com 1,7% em 2025 e 2,3% em 2026. A taxa de desemprego deve ficar em 4,5% em 2025 e 4,4% em 2026, enquanto a inflação deve encerrar 2025 em 2,9%, recuar para 2,1% em 2027 e atingir a meta do banco central em 2028.
A decisão de manter os juros inalterados, em meio a disputas internas e pressões externas, mantém o foco sobre o futuro comando da Fed e os rumos da política monetária nos próximos meses.
(Com informações de AP, Reuters, EFE e Europa Press)