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O cantor Lindomar Castilho morreu aos 85 anos neste sábado (20). A informação foi confirmada por sua filha, Lili De Grammont, por meio das redes sociais. A família não divulgou a causa da morte. Conhecido como o “Rei do Bolero”, Lindomar teve uma trajetória de grande sucesso comercial na música brasileira, mas também ficou marcado por um dos crimes mais emblemáticos da história cultural do país.
Em uma publicação emocionada, Lili comentou a morte do pai e relembrou a complexidade da história familiar. “Meu pai partiu! E como qualquer ser humano, ele é finito, ele é só mais um ser humano que se desviou com sua vaidade e narcisismo. E ao tirar a vida da minha mãe também morreu em vida. O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira”, escreveu.
Ela também refletiu sobre fragilidade humana e responsabilidade emocional. “Nem melhores e nem piores do que o outro. Não somos donos de nada e nem de ninguém, somos seres inacabados, que precisamos olhar pra dentro e buscar nosso melhor, estar perto de pessoas que nos ajudem a trazer a beleza pra fora e isso inclui aceitarmos nossa vulnerabilidade”, afirmou.
A trajetória de Lindomar Castilho ficou definitivamente marcada pelo assassinato da cantora Eliane de Grammont, sua segunda ex-esposa, em 30 de março de 1981. O crime ocorreu durante uma apresentação de Eliane em um bar na zona sul de São Paulo, quando Lindomar entrou no local e atirou contra a artista. Ele foi condenado a 12 anos de prisão e cumpriu parte da pena, deixando a cadeia nos anos 1990.
Lili tinha menos de dois anos quando perdeu a mãe. Ao longo dos anos, ela relatou os impactos profundos do crime em sua vida. “Perdi minha mãe quando eu tinha 2 anos, minha avó, que me criou quando eu tinha 15. Meu pai foi preso quando eu tinha 6. Pra gente, não morre só a mãe. Morre o pai, a relação de família e o amor se torna desconfiança”, declarou.
Sobre o perdão, Lili afirmou que a questão nunca foi simples. “Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou um não. Ela envolve todas as camadas das dores e das delícias de existir, de ser um ser complexo e em constante transformação”, escreveu.
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No auge da carreira, especialmente nos anos 1970, Lindomar Castilho foi um dos artistas que mais venderam discos no Brasil. Suas músicas dominaram as rádios e conquistaram grande popularidade, consolidando seu nome como um dos principais intérpretes do bolero no país.
Lindomar e Eliane se conheceram no meio musical em 1977 e se casaram dois anos depois. Com o tempo, porém, o relacionamento passou a ser marcado por controle, violência e conflitos constantes. Cerca de 15 anos mais velho, o cantor pressionava Eliane a abandonar a carreira artística. Após cerca de um ano de casamento, ela decidiu encerrar a relação, decisão que não foi aceita por ele.
O assassinato chocou o país e se tornou um marco na mobilização social contra a violência doméstica, fortalecendo o lema “Quem ama não mata”.
Durante o período em que esteve preso, Lindomar compôs e lançou o álbum “Muralhas da Solidão”, em 1985, além de passar sete anos dando aulas de música e violão a outros detentos. Após deixar a prisão, chegou a retomar a carreira por um curto período, lançando um álbum ao vivo em 2000.
Com o passar do tempo, voltou a se afastar da vida artística e passou a viver de forma reservada em Goiás, longe dos holofotes. Já na adolescência, Lili tentou se reaproximar do pai, buscando resgatar parte do vínculo afetivo, embora, segundo ela, a relação tenha permanecido distante.