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A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl LX chamou atenção mundial não apenas pela música e coreografia, mas também por um detalhe simbólico em sua vestimenta: a camiseta recortada creme, com o número 64 na frente e o sobrenome Ocasio nas costas.
O próprio cantor explicou o significado em entrevista à revista The Cut, compartilhada pelo perfil oficial do veículo no Instagram. Segundo Bad Bunny, a homenagem foi dedicada ao seu tio, que jogava futebol americano e faleceu de forma inesperada.
“Sempre sonhei em levar meu tio ao Super Bowl e não pude. Ele se foi inesperadamente, sem avisar. Então, durante meu show de intervalo, decidi levá-lo comigo na minha camiseta”, disse o artista. O número 64 era usado pelo tio em campo, enquanto Ocasio é parte do nome legal de Bad Bunny, Benito Antonio Martínez Ocasio.
Além da memória familiar, a camiseta também remete a um episódio histórico de Puerto Rico: o número 64 foi registrado pelo governo local como vítimas fatais do furacão Maria, em 2017. Estudos posteriores, como o realizado pela Universidade George Washington, revisaram o número para 2.975 mortos, evidenciando uma minimização inicial do desastre. Na época, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a afirmar que “3.000 pessoas não morreram nos dois furacões que atingiram Porto Rico”, contrariando pesquisas acadêmicas e relatos das vítimas.
O show de Bad Bunny incorporou múltiplas referências à cultura e história puertorriquenha. Durante a apresentação, ele bandeou a bandeira de Porto Rico com o triângulo azul claro, símbolo do movimento independentista. A cenografia e coreografia retrataram jíbaros, vendedores ambulantes e a icônica “casita” de San Juan, além de postes de luz explodindo, alusão aos frequentes apagões na ilha.
O cantor também homenageou a diáspora puertorriquenha em Nova York e a tradição musical da ilha, com trechos de reguetón clássico e participações de Lady Gaga e Ricky Martin. A presença do grupo Los Pleneros de la Cresta trouxe o gênero de plena, típico de celebrações familiares, a um público massivo.
Outro marco da apresentação foi o uso predominante do espanhol, consolidando uma identidade cultural que se afirma no palco do maior evento esportivo dos EUA. Em determinado momento, Bad Bunny ergueu um balão com a frase “Together, we are America”, e exclamou: “Deus abençoe a América!”, citando em seguida os países do continente americano.
Ao longo de sua carreira, Bad Bunny tem se posicionado como defensor de Porto Rico e das comunidades migrantes. Após o furacão Maria, criticou a falta de ajuda federal, participou das manifestações que levaram à renúncia do governador Rosselló em 2019 e apoiou publicamente a candidatura independentista da ilha em 2024.
“Meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se estou hoje no Super Bowl 60 é porque nunca, nunca deixei de acreditar em mim mesmo. Você também deve acreditar em si mesmo, você vale mais do que pensa”, afirmou o artista durante sua apresentação, que se tornou um ato de memória, protesto e celebração familiar.