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Documentos judiciais divulgados na quarta-feira (11) revelam que dois funcionários da Live Nation, empresa que controla a Ticketmaster, se gabavam de cobrar taxas extras abusivas de clientes em shows, chegando a chamá-los de “tão estúpidos” que quase se sentiam mal por tirar vantagem deles.
Os registros, que consistem em mensagens trocadas pelo Slack entre 2021 e 2023, mostram que Ben Baker e Jeff Weinhold, então diretores regionais de vendas de ingressos, comemoravam aumentar os valores de pacotes VIP e taxas de estacionamento a níveis altíssimos.
“Essas pessoas são tão estúpidas”, escreveu Baker. “Quase me sinto mal por tirar vantagem delas.”
Em outra conversa de 2022, eles comentaram o crescimento anual do serviço de “premier parking” em um local não especificado, que chegou a US$ 660 mil em 2021. “Roubando eles às cegas, bebê. É assim que fazemos”, escreveu Baker. Em outro trecho, sobre preços básicos de ingressos, ele acrescentou: “Eu exploro as taxas extras para compensar isso”.
A Live Nation se distanciou das declarações. “A troca de mensagens no Slack entre um funcionário júnior e um amigo não reflete nossos valores nem como operamos”, disse um porta-voz da empresa à imprensa norte-americana. “Como se tratava de uma mensagem privada, a liderança só tomou conhecimento ao mesmo tempo que o público e investigará o caso prontamente.”
Baker, que era diretor regional na época das mensagens, foi promovido posteriormente a chefe de vendas de ingressos dos 150 anfiteatros da Live Nation e estava previsto para testemunhar no tribunal esta semana. Seu depoimento foi adiado após a empresa alcançar um acordo surpresa com o Departamento de Justiça, que pode evitar a venda da Ticketmaster diante das acusações de monopólio ilegal.
A Live Nation afirmou que limitará as taxas em seus anfiteatros a 15% e que investiu US$ 1 bilhão em locais nos EUA nos últimos 18 meses.
Conforme relatado pelo The New York Post, o juiz federal Arun Subramanian orientou os procuradores estaduais que não aceitaram o acordo a chegar a um entendimento próprio ou continuar o julgamento com o mesmo júri na segunda-feira.
Mensagens internas que a empresa tentou bloquear foram liberadas após pedido conjunto de várias organizações de imprensa. Segundo a Live Nation, os registros representavam apenas “conversas informais entre amigos, não políticas, decisões ou fatos relevantes”.
Porém, os procuradores estaduais argumentam que as taxas extras abusivas são usadas deliberadamente para “prejudicar a experiência dos fãs, cobrando preços excessivos sem risco de artistas mudarem de empresa”.