Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, nesta terça-feira (26), as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e a outros países. Durante a abertura da reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula disse que o presidente norte-americano, Donald Trump, age como se fosse o “imperador do mundo”.
“O governo dos Estados Unidos tem agido como se fosse o imperador do planeta Terra. Ou seja, é uma coisa descabida, porque eu não vou repetir o que eu já falei sobre o Brasil, mas ele [Trump] continua fazendo ameaças ao mundo inteiro”, afirmou.
A reunião teve como objetivo fazer um balanço da gestão e alinhar prioridades do governo até 2026. Também esteve em pauta a definição de estratégias diante do tarifaço de 50% anunciado pelos EUA sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto.
Em seu discurso, Lula pediu que os ministros adotem um posicionamento firme em defesa da soberania nacional. O presidente citou ainda uma nota publicada por Trump na segunda-feira (25), na qual o norte-americano teria ameaçado países que regulassem as big techs.
“Ele publicou uma nota ameaçando que quem mexer com as big techs deles vai sofrer as consequências. E ameaça qualquer país. [Para Trump] as big techs são um patrimônio americano que ele não aceita que ninguém mexa. Isso pode ser verdade para ele”, disse Lula.
O presidente ressaltou que o Brasil tem autonomia sobre seu território e legislação. “Temos uma Constituição, uma legislação, e quem quiser entrar nesses 8,5 milhões de km², no nosso espaço aéreo, nas nossas florestas, no nosso espaço marítimo, tem que prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação. É assim que tem que ser para que a gente possa construir e fortalecer esse mundo democrático, multilateralista, que o Brasil faz questão de defender”, destacou.
Ele também reforçou que o país não aceitará ofensas externas. “Nós aceitamos relações cordiais com o mundo inteiro, mas não aceitamos desaforo, ofensas e petulância de ninguém. Se a gente gostasse de imperador, a gente não tinha acabado com o império. Se a gente gostasse de imperador, o Brasil ainda seria monarquia. A gente não quer mais. A gente quer esse país democrático, soberano e republicano, que foi o que aprendemos a construir”, declarou.
Após a entrada em vigor das tarifas norte-americanas, o governo federal anunciou o Plano Brasil Soberano, com ações para reduzir os efeitos econômicos sobre os setores atingidos. O pacote prevê a manutenção de empregos, devolução de parte dos impostos pagos por empresas e compra de alimentos perecíveis pelo governo para distribuição em escolas, hospitais e Forças Armadas.
Esta foi a segunda reunião ministerial realizada por Lula em 2025. A primeira ocorreu em janeiro, em meio a debates sobre trocas na Esplanada e balanço dos dois primeiros anos do terceiro mandato.
Desde então, o presidente promoveu mudanças em quatro ministérios. Nísia Trindade deixou a Saúde em fevereiro, substituída por Alexandre Padilha. O comando da articulação política passou para Gleisi Hoffmann. Em abril, Juscelino Filho deixou as Comunicações após denúncia da PGR por corrupção, sendo substituído por Frederico de Siqueira Filho. Em maio, Cida Gonçalves saiu do Ministério das Mulheres, que passou a ser chefiado por Márcia Lopes.