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O embaixador Benoni Belli, representante do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), classificou como “sequestro” a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira (6) durante reunião do Conselho Permanente da OEA, em Washington (EUA).
Em sua fala, Belli também condenou os bombardeios realizados em território venezuelano durante a operação norte-americana ocorrida no último sábado (3), que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
“Ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, afirmou o diplomata brasileiro.
Segundo ele, a operação remete aos piores momentos de interferência externa na América Latina, especialmente às intervenções dos Estados Unidos na região entre as décadas de 1960 e 1980, e contraria o compromisso regional com a paz.
Belli destacou que a ação norte-americana viola princípios fundamentais do direito internacional, desrespeitando tanto a Carta das Nações Unidas quanto as obrigações hemisféricas. Ele citou a resolução 297 de 2025 da Comissão Jurídica Interamericana, que reafirma a proibição do uso da força nas relações internacionais, exceto em situações específicas autorizadas pela ONU.
“Se perdermos o edifício multilateral, perderemos não só a independência, mas a dignidade nacional”, disse o embaixador.
Para Belli, apenas um processo político conduzido pelos próprios venezuelanos, sem interferências externas, pode resultar em uma solução legítima que respeite a vontade popular. O diplomata reforçou que o Brasil está determinado a atuar pela preservação do patrimônio regional da paz.
A operação norte-americana, além da captura de Maduro e Cilia Flores, incluiu bombardeios em solo venezuelano e levou o casal para Nova York, onde foram acusados de narcotráfico. Na segunda-feira (5), ambos se declararam inocentes perante a Justiça norte-americana.
O episódio gerou comoção internacional e provocou diferentes posicionamentos de governos ao redor do mundo. Países como Brasil, Uruguai, Colômbia, Rússia e China manifestaram oposição à intervenção, classificando-a como uma violação da soberania venezuelana. Por outro lado, Argentina, Itália e França expressaram apoio à ação dos Estados Unidos.
O caso segue repercutindo na arena internacional, com especialistas e diplomatas debatendo os impactos da operação sobre a estabilidade regional e a legalidade das intervenções externas na América Latina.
Segundo analistas, a captura de um chefe de Estado estrangeiro por outro país sem autorização multilaterial representa um prejuízo histórico para a diplomacia regional, ao mesmo tempo em que levanta questionamentos sobre a eficácia de mecanismos internacionais para prevenir conflitos e proteger a soberania dos países.
A declaração do Brasil na OEA reforça a posição do país de buscar soluções diplomáticas e multilaterais para crises internacionais, priorizando o diálogo e o respeito às normas de direito internacional.
“Somente através do respeito aos processos internos dos Estados e do fortalecimento das instituições multilaterais podemos preservar a paz e a estabilidade na América Latina”, concluiu Benoni Belli.