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Berta Soler, líder do coletivo Damas de Blanco, foi novamente presa neste domingo (18) por agentes da ditadura cubana ao deixar a sede da organização em Havana, denunciou um parente próximo.
É a décima quarta prisão no domingo feita pelas autoridades de Segurança do Estado contra as Damas de Branco, segundo o marido de Soler e também dissidente, Ángel Moya , em suas redes sociais.
A publicação é acompanhada de várias fotos e um vídeo que registram o momento da prisão do ativista, que carregava uma placa com a inscrição: “Não vote no Código da Família” , legislação promovida pelo regime cubano que será submetida à um referendo popular em 25 de setembro e inclui, entre outras questões, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
24to Domingo Represivo vs.Las Damas de Blanco
18-9-22 :Represores PARAMILITARES al servicio de la Seguridad del Estado ,arrestan a Berta Soler. #SOSCuba @POTUS @USEmbCuba #RevolucionEsRepresion#PresosPorQue#MartiNoFueComunista @DamasdBlanco #Cuba pic.twitter.com/zlAaeG1FiD
— Angel Juan Moya (@jangelmoya) September 18, 2022
O Código da Família passou por um teste neste domingo para verificar detalhes antes do dia, enquanto, paralelamente, é realizada uma primeira votação no exterior. A “prova dinâmica” aplicada hoje teve como principal objetivo verificar a prontidão das escolas, os recursos materiais e humanos, os sistemas informáticos e a preparação das autoridades eleitorais, entre outros aspectos.
O Código da Família é um pacote de regulamentações que inclui, entre outras coisas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e adoções entre casais do mesmo sexo, bem como a barriga de aluguel, chamada de “solidariedade” no texto.
A votação acontecerá na próxima semana em mais de 24.000 assembleias de voto instaladas nos 168 municípios da ilha caribenha e contará também com a participação de mais de 200.000 pessoas entre autoridades eleitorais, colaboradores e supervisores, segundo dados do Conselho Nacional Eleitoral ( CEN).
Nos domingos anteriores, as prisões de Soler e nas quais Moya também foi incluído, duraram algumas horas nas delegacias de polícia de Havana, onde foram multados e depois liberados.
Outros membros das Damas de Branco também foram detidos nos fins de semana desde que decidiram em janeiro marchar novamente aos domingos -após a pausa imposta pela pandemia- para exigir a libertação dos detidos nos protestos do 11J.
Este grupo surgiu em 2003 por iniciativa de várias mulheres familiares dos 75 dissidentes e jornalistas independentes que foram condenados a longas penas de prisão durante o período de repressão conhecido como “Primavera Negra”.
A partir de então, esse movimento de mulheres, que contava com a adesão das esposas, mães e parentes dos condenados, foi identificado por sempre se vestir de branco e realizar marchas dominicais após a missa em uma igreja católica.
Em 2005, as Damas de Branco receberam o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu.
A UE e as ONGs Human Right Watch e Anistia Internacional criticaram essa onda de prisões e condenações, chamando-as de políticas. As autoridades cubanas alegaram que os dissidentes acusados estavam atentando contra a soberania nacional por ordem dos Estados Unidos.
Com informações da EFE