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A polícia ucraniana informou nesta sexta-feira (10) que está realizando centenas de incursões em todo o país para bloquear as rotas usadas por homens em idade militar que tentam fugir do país para evitar o alistamento. O governo de Kiev tem promovido uma grande campanha de mobilização para reforçar o Exército, que enfrenta dificuldades para conter as forças russas no leste do país, quase três anos após o início da invasão.
A mobilização gerou pânico entre os homens ucranianos em idade de combate, resultando na fuga ilegal de milhares de pessoas para a Europa, frequentemente utilizando rotas perigosas de contrabando através de montanhas ou rios. De acordo com o Eurostat, serviço europeu de estatísticas, atualmente há 4,3 milhões de ucranianos vivendo em países da União Europeia, sendo 860 mil homens.
Em comunicado, a polícia revelou que mais de 600 buscas simultâneas estão sendo realizadas por agentes do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e investigadores da polícia nacional. A operação, considerada a primeira etapa de uma ação especial, visa bloquear os canais de tráfico de homens em idade militar para o exterior.
O foco da operação é desmantelar redes que auxiliam pessoas a evitar o serviço militar por meio de travessias ilegais na fronteira. A polícia afirmou que os “criminosos” ajudaram centenas de pessoas a cruzar a fronteira ilegalmente, e a operação ocorre em todo o país. Os detalhes da ação serão divulgados após a conclusão das investigações.
Desde o início da invasão russa, Kiev tem enfrentado problemas de corrupção no processo de mobilização militar. Em abril de 2023, o país suspendeu a prestação de serviços consulares a cidadãos homens entre 18 e 60 anos, como uma forma de pressioná-los a retornar ao país e se juntar às forças de defesa ou ajudar na economia local. Além disso, o governo expandiu as oportunidades para mulheres no combate, oferece salários atrativos para funções como piloto de drone e realiza campanhas para atrair recrutas mais jovens.
O Parlamento ucraniano também aprovou uma nova lei de mobilização, que obriga todos os homens entre 18 e 60 anos a se registrarem em até 60 dias e reduz a idade mínima de convocação de 25 para 27 anos. Além disso, a lei prevê a possibilidade de rejeição de serviços consulares.
No final de 2024, o ex-procurador-geral da Ucrânia, Andrii Kostin, renunciou após a revelação de um esquema de corrupção que fornecia isenções de recrutamento militar para funcionários do governo. Na mesma época, o jornal Financial Times reportou que os Estados Unidos pressionaram a Ucrânia a reduzir ainda mais a idade mínima de convocação, para 18 anos.
Enquanto nos primeiros dias da invasão russa, os centros de recrutamento estavam lotados e cidadãos buscavam armas para se defender dos ataques terrestres, Kiev tem enfrentado crescente dificuldade em atrair novos recrutas. A revista Time revelou que a idade média dos soldados ucranianos é de 43 anos, com muitos permanecendo no front por mais tempo do que o previsto devido à falta de substitutos.
Desde o início do conflito, homens entre 19 e 60 anos estão proibidos de deixar o país, mas muitos tentam fugir ilegalmente, arriscando suas vidas em travessias rumo a países como a Moldávia. Em 2024, a BBC informou que cerca de 20 mil homens em idade de alistamento haviam fugido do país, com alguns sendo capturados e outros morrendo durante a travessia.