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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender sua política de tarifas comerciais nesta segunda-feira (7) e anunciou medidas mais duras contra países que, segundo ele, “abusam” da economia americana — com destaque para a China. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os EUA estão recebendo “bilhões de dólares semanalmente com tarifas já em vigor” e afirmou que “não há inflação” no país.
A declaração ocorre após a entrada em vigor, no sábado, de uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações. A partir de quarta-feira, medidas específicas serão aplicadas: 20% para produtos da União Europeia e 34% para mercadorias chinesas. Segundo o presidente, a resposta da China — que também elevou tarifas — desrespeita sua advertência. “China, cujos mercados estão desabando, aumentou seus impostos em 34%, além das tarifas ridiculamente altas que já existiam”, escreveu.
O anúncio provocou turbulência nos mercados globais. O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 4,3%, enquanto o Nikkei 225, de Tóquio, recuou 3,8%. Na Europa, as perdas também foram expressivas: o DAX, da Alemanha, caiu 2,9% e o CAC 40, da França, 3,1%. Analistas apontam que o endurecimento nas relações comerciais pode frear o crescimento global.
Em meio à instabilidade, Trump cobrou uma ação mais rápida do Federal Reserve (o banco central dos EUA) para cortar as taxas de juros e dar suporte à economia. “O Fed lento deveria reduzir as taxas agora”, afirmou, repetindo seu lema político: “Vamos tornar a América grande novamente!”.
Mais tarde, Trump voltou a publicar nas redes, pedindo aos americanos que fossem “fortes, corajosos e pacientes”. Segundo ele, as medidas atuais corrigem erros históricos. “Temos a chance de fazer o que deveria ter sido feito décadas atrás”, escreveu. O presidente também informou que líderes de diversos países já procuraram a Casa Branca para renegociar termos comerciais, entre eles o primeiro-ministro do Japão.
Risco de recessão cresce nos EUA
As medidas tarifárias acenderam o alerta no mercado financeiro. O banco Goldman Sachs elevou de 35% para 45% a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos. Em relatório enviado a clientes, a instituição afirma que a maior incerteza política e a queda na confiança de consumidores e empresas pesam sobre as projeções de crescimento.
Segundo o banco, há um cenário cada vez mais provável de contração da economia já no terceiro trimestre de 2024. Outras instituições seguiram a mesma linha: o JPMorgan Chase elevou a chance de recessão para 60%, e a S&P Global subiu sua estimativa para até 35%. Ainda assim, esta última avaliou que, por ora, não há perspectiva de recessão técnica nos moldes da definição da NBER (Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos EUA).
A crise se intensifica em um ambiente de tensão política e de reconfiguração do comércio global. “Tudo precisa mudar — especialmente com a China!”, finalizou Trump.