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Durante um domingo marcado pela baixa participação nas eleições municipais da Venezuela, a Embaixada dos Estados Unidos no país divulgou uma mensagem à população venezuelana: “Maduro e seu regime criminoso não durarão para sempre, e a terra de Bolívar voltará a ser democrática e livre”.
A publicação foi feita no perfil oficial @usembassyve enquanto o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciava a extensão da votação por mais duas horas, apesar dos centros de votação estarem visivelmente vazios. A declaração sintetiza a postura firme do governo americano em relação ao regime de Nicolás Maduro, reforçando a visão de que o chavismo não permanecerá indefinidamente no poder e que a restauração da democracia é inevitável.
A própria jornada eleitoral transcorreu sem grandes surpresas. Assim como em processos anteriores sob o controle do chavismo, os locais de votação ficaram quase desérticos. Elvis Amoroso, presidente do CNE e aliado próximo de Maduro, justificou a prorrogação afirmando que ainda havia uma “massa” de eleitores na fila — uma alegação contestada por imagens divulgadas por grupos opositores, que mostravam ruas vazias, militares guardando os colégios eleitorais e mesas de votação ociosas, atendidas apenas por funcionários.
A líder da oposição, María Corina Machado, foi incisiva em suas críticas: “Já nem conseguem mais enganar”, escreveu nas redes sociais. Em outra mensagem, destacou que “a liberdade da Venezuela será o golpe histórico mais certeiro contra o crime organizado, o narcotráfico e o terrorismo no nosso continente”.
O posicionamento da Embaixada dos EUA se soma às declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que também neste domingo afirmou que “Maduro não é o presidente da Venezuela e seu regime não é o governo legítimo”. Rubio voltou a relacionar Maduro ao chamado “Cartel dos Soles”, uma organização rotulada pelos EUA como narcoterrorista, e reafirmou o apoio “inquebrantável à restauração da ordem democrática” na Venezuela.
Em resposta, Maduro manteve sua retórica usual. Após votar em Caracas, descartou as críticas internacionais: “Não nos interessa o que o imperialismo diga ou faça. Somos um povo rebelde, digno e soberano”. Ele ainda classificou a política externa dos EUA como “bipolar”, criticou líderes latino-americanos alinhados a Washington — como Javier Milei e Nayib Bukele — e pediu aos venezuelanos que “não amarguem a vida” com os pronunciamentos do norte.
A data da mensagem dos EUA coincide com o aniversário da reeleição de Maduro, proclamada pelo CNE, um resultado rejeitado pela oposição, em especial pela Plataforma Unitaria Democrática, que defende que o verdadeiro vencedor foi Edmundo González Urrutia, atualmente exilado.