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Um comboio com 135 caminhões carregando cerca de 1.500 toneladas de alimentos e suprimentos humanitários foi enviado nesta segunda-feira (29) à Faixa de Gaza pela organização Crescente Vermelho Egípcio. A operação ocorre em meio a uma grave crise de desnutrição no enclave palestino, agravada pelo bloqueio imposto por Israel.
Parte dos veículos cruzou o lado egípcio da passagem de Rafah e seguiu para Kerem Shalom, em território israelense, onde passou por inspeções antes de seguir para Gaza. Segundo o Crescente Vermelho, o comboio leva 965 toneladas de cestas de alimentos, 350 toneladas de farinha e 200 toneladas de itens de higiene pessoal.
A organização humanitária destacou que está presente na fronteira desde o início da guerra, e ressaltou que o lado egípcio do cruzamento de Rafah não está completamente fechado. No entanto, o lado palestino permanece sob controle militar israelense, dificultando a entrada regular de ajuda.
O comboio faz parte da operação chamada “Zad al Izaa” (Provisão do Orgulho), que coincide com o anúncio do exército israelense de implementar “pausas táticas” em algumas áreas para permitir o envio de ajuda humanitária. Apesar disso, no domingo (28), apenas 73 caminhões conseguiram entrar em Gaza, segundo autoridades locais ligadas ao Hamas. A maioria desses veículos, ainda de acordo com os relatos, foi saqueada após a entrada no território. Outros 30 caminhões foram barrados por Israel e tiveram que retornar ao Egito com toda a carga.
Antes da guerra, Gaza recebia cerca de 500 caminhões por dia — número que já era considerado insuficiente por organizações internacionais. Atualmente, a média está muito abaixo desse patamar. Tentativas de envio aéreo de suprimentos feitas por Jordânia e Emirados Árabes Unidos também enfrentam dificuldades: muitos dos carregamentos caem em zonas de combate e não chegam à população civil.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a desnutrição já provocou ao menos 63 mortes em julho, incluindo 24 crianças com menos de cinco anos. O número cresceu drasticamente após o fechamento quase total das entradas em Gaza, imposto por Israel desde março.
Com a reabertura parcial de passagens e o início das pausas humanitárias, Israel informou que 120 caminhões de ajuda foram distribuídos no domingo com apoio da ONU e de outras entidades. A ONU confirmou a entrega de mais de 100 veículos com suprimentos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que “não haverá mais desculpas” para a falta de assistência, ao anunciar oficialmente a criação de corredores humanitários. No entanto, agências humanitárias denunciam que as restrições israelenses, a burocracia militar e a insegurança em campo ainda dificultam o socorro à população.
Fotos da agência AFP mostram caminhões carregando alimentos sendo levados a depósitos próximos ao posto de Kerem Shalom. Segundo organizações como Unicef e Oxfam, o volume de ajuda continua muito aquém das “necessidades enormes” dos mais de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza.
A atual crise humanitária tem origem no cerco imposto após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.219 mortos em território israelense, segundo números oficiais citados pela AFP. A resposta militar israelense provocou, até agora, ao menos 59.821 mortes em Gaza, a maioria civis, conforme dados divulgados pelo próprio Hamas.
O órgão militar israelense COGAT afirmou que mais de 120 caminhões foram distribuídos no domingo por agências da ONU e outras organizações internacionais, enquanto outros 180 aguardavam coleta para entrar no enclave. As agências humanitárias relatam dificuldades para obter permissões militares e acessar áreas em conflito, o que pode atrasar a entrega da ajuda por várias horas.
O exército de Israel prometeu garantir a segurança de algumas rotas humanitárias entre 10h e 20h (horário local), e de outras vias entre 6h e 23h. No entanto, não detalhou quais serão essas rotas. A situação continua precária: há relatos de disparos contra civis que aguardavam ajuda no cruzamento de Zikim, onde autoridades locais estimam pelo menos dez mortos.