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Durante negociações comerciais com a China realizadas nesta terça-feira (29) em Estocolmo, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que o país pode aplicar tarifa zero a produtos que não são cultivados em território americano, como cacau, manga, café e abacaxi. A medida pode beneficiar o Brasil, principal fornecedor global de café, embora o país sul-americano não tenha sido citado diretamente.
“O presidente [Trump] incluiu que, se você cultivar algo e nós não cultivarmos, isso pode chegar a zero. Portanto, se fizermos um acordo com um país que cultiva manga ou abacaxi, eles podem entrar sem tarifa. O café e o cacau seriam outros exemplos de recursos naturais”, declarou Lutnick em entrevista ao canal de TV norte-americano CNBC.
Apesar da sinalização positiva em relação a alguns produtos tropicais, a tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em 9 de julho segue mantida e deve entrar em vigor já nesta sexta-feira (1º). “Para o resto do mundo, teremos tudo pronto até sexta-feira”, reforçou o secretário.
A decisão de Trump tem sido interpretada como uma retaliação política. Segundo o republicano, a medida é uma resposta aos “ataques à liberdade de expressão” por parte do governo brasileiro contra empresas norte-americanas, além do tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele considera vítima de uma “caça às bruxas” e defende que “isso deve terminar imediatamente”.
Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito e está inelegível até 2030.
Diante do impacto previsto da medida sobre as exportações brasileiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou um comitê interministerial para discutir estratégias de reação. O grupo é coordenado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e tem mantido conversas com empresários e representantes dos setores mais afetados.
Dados do próprio ministério apontam a relevância do mercado americano para produtos como o café. Em junho, os Estados Unidos compraram 15,9% de todo o café não torrado exportado pelo Brasil, num total de US$ 148,2 milhões. No caso do café torrado, que inclui extratos e essências, a participação americana foi ainda maior: 23,4%, ou US$ 21 milhões.
O país também é o maior comprador de derivados do cacau brasileiro, como manteiga, pasta e pó de cacau. Em junho, a fatia americana foi de 42,6% (US$ 22,5 milhões). Quanto a chocolates e outras preparações com cacau, os EUA foram o segundo principal destino, com US$ 2,4 milhões em compras.
Ciente da importância desses produtos para as exportações nacionais, o governo brasileiro deve propor aos EUA a exclusão de itens como suco de laranja, café e aeronaves da Embraer da tarifa de 50%. O café brasileiro, por exemplo, representa cerca de um terço do consumo total nos Estados Unidos.