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O Exército de Israel divulgou nesta terça-feira (29) um vídeo que, segundo afirmou, mostra terroristas armados do Hamas saqueando um caminhão de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em meio à grave crise alimentar que órgãos apoiados pela ONU classificam como uma fome “em andamento”.
Nas imagens divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), é possível ver dois homens armados sobre um caminhão carregado de caixas, com outras pessoas ao redor. O Exército não informou o local exato onde o incidente teria ocorrido.
Em nota, o Exército israelense afirmou que o vídeo foi gravado em 25 de julho de 2025 e mostra “terroristas armados do Hamas enquanto saqueiam violentamente a ajuda humanitária que havia sido levada à Faixa de Gaza, impedindo que ela chegue à população civil”.
“Contrariamente às falsas alegações do Hamas de que se tratam de elementos de segurança, na verdade são terroristas do Hamas que vieram saquear a ajuda humanitária dos habitantes de Gaza”, declarou o Exército.
No mesmo dia, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu acusou o Hamas de divulgar números e imagens “encenadas ou manipuladas” para “alimentar a percepção de uma crise humanitária” em Gaza, apesar de Israel “estar trabalhando para garantir a entrega de ajuda”.
Netanyahu ressaltou que Israel já permite “a entrada diária em Gaza de quantidades significativas de ajuda humanitária, incluindo alimentos, água e remédios”, referindo-se à distribuição de mais de 120 caminhões com ajuda anunciada na segunda-feira, parte das chamadas “pausas humanitárias”.
O premiê também reiterou as acusações contra o Hamas por “usar abertamente civis como escudos humanos, operar a partir de hospitais e usar escolas e creches para armazenar armas”. Ele denunciou ainda que a milícia “tem roubado ajuda da população de Gaza em diversas ocasiões, disparando contra palestinos”.
Netanyahu afirmou estar “librando uma guerra justa” e garantiu que “nenhum país do mundo permitiria que um grupo terrorista continuasse governando um território vizinho”, referindo-se aos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. “Seguiremos buscando a devolução dos nossos reféns e a derrota do Hamas. Essa é a única forma de garantir a paz para israelenses e palestinos igualmente”, disse.
Enquanto isso, Gaza enfrenta uma grave crise humanitária, que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU classificou como uma catástrofe sem precedentes neste século. Ross Smith, diretor de emergências do PMA, comparou a situação às famintas históricas da Etiópia e de Biafra no século passado.
“Isso é diferente de tudo que vimos neste século”, disse Smith em entrevista a jornalistas em Genebra. “Lembra desastres anteriores na Etiópia e Biafra.”
A Iniciativa Integrada de Classificação da Segurança Alimentar (IPC), organismo apoiado pela ONU que monitora a desnutrição, emitiu nesta terça-feira um alerta afirmando que “o pior cenário de fome está se desenrolando agora na Faixa de Gaza”.
O grupo indicou que “evidências crescentes mostram que a fome generalizada, desnutrição e doenças estão levando a um aumento nas mortes relacionadas à fome”. Dados recentes apontam que “foram alcançados os níveis de fome para o consumo alimentar na maior parte da Faixa de Gaza e para desnutrição aguda na cidade de Gaza”.
O conflito dura quase 22 meses desde o ataque terrorista transfronteiriço do Hamas em 7 de outubro de 2023. Israel impôs bloqueio total a Gaza em 2 de março após o fracasso das negociações de cessar-fogo. No final de maio, permitiu um pequeno fluxo de ajuda, diante dos alertas sobre uma possível onda de fome.
A pressão internacional sobre Israel aumentou nas últimas semanas. Mais de 100 organizações de ajuda e grupos de direitos humanos alertaram na semana passada sobre uma “fome em massa” e imploraram a Israel que levantasse as restrições à ajuda humanitária. A União Europeia e pelo menos 28 governos, incluindo aliados de Israel como Reino Unido, França e Canadá, emitiram uma declaração conjunta condenando o “fluxo insuficiente de ajuda” aos dois milhões de residentes palestinos de Gaza.
A crise alimentar alcançou níveis críticos, com o IPC alertando que o acesso humanitário “imediato” é a única forma de evitar o rápido aumento da fome e da mortalidade. Jean-Martin Bauer, diretor de análise de segurança alimentar e nutrição do PMA, afirmou que “as evidências crescentes indicam que há fome lá. Todos os sinais estão presentes agora”.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rejeitou nesta terça-feira o que chamou de “campanha distorcida” de pressão internacional para um cessar-fogo em Gaza e reconhecimento de um Estado palestino.
“Terminar o conflito enquanto o grupo terrorista Hamas continuar no poder em Gaza e mantiver reféns seria uma tragédia para israelenses e palestinos”, declarou Saar. “Isso não vai acontecer, não importa a pressão exercida sobre Israel.”
O ministro atribuiu a responsabilidade pelo conflito exclusivamente ao Hamas e afirmou que a pressão sobre Israel só incentivará a intransigência do grupo. “Quando pedem para acabar com a guerra, o que isso significa de fato? Acabar com a guerra enquanto o Hamas permanece no poder em Gaza?”, questionou.
Saar também descartou o estabelecimento de um Estado palestino nas atuais circunstâncias: “Criar um Estado palestino hoje seria criar um Estado do Hamas, um Estado jihadista. Isso não vai acontecer.”