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As forças hutis realizaram neste domingo (31) operações em escritórios de agências da ONU em Saná, capital do Iêmen, e detiveram ao menos um funcionário, segundo confirmaram fontes oficiais às agências AP e EFE. O episódio ocorre em meio à escalada de tensão após a morte do primeiro-ministro huti, Ahmed al-Rahawi, em um ataque aéreo israelense.
Abeer Etefa, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), informou que as forças de segurança hutis entraram nas instalações da agência pela manhã. Fontes ligadas tanto à ONU quanto ao grupo rebelde, sob condição de anonimato, confirmaram que escritórios do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também foram alvo de buscas. Ammar Ammar, porta-voz do UNICEF, reconheceu que havia “uma situação em curso” nas unidades da capital, mas não deu mais detalhes.
Um funcionário da ONU relatou que o contato foi perdido com vários empregados do PMA e do UNICEF, que possivelmente também foram detidos. Essas ações fazem parte de uma ampla repressão dos hutis contra organismos internacionais que atuam em áreas sob seu controle. O grupo, apoiado pelo Irã, já deteve dezenas de trabalhadores da ONU, de organizações civis e até de ex-funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Saná, atualmente fechada. Em janeiro, a ONU suspendeu suas operações em Saada, reduto rebelde no norte do país, depois que oito funcionários foram presos pelos hutis.
O ataque israelense que matou Al-Rahawi e vários de seus ministros ocorreu na quinta-feira (28), durante uma reunião de avaliação das atividades do governo rebelde. A ação foi um duro golpe para a liderança huti, que mantém forte oposição a Israel e já promoveu ataques contra embarcações no Mar Vermelho e alvos israelenses desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.
No sábado (30), o líder político huti, Mahdi al Mashat, fez um pronunciamento na televisão prometendo retaliação. “Nossa vingança não dorme. Dias escuros aguardam Israel”, afirmou. Ele acusou o governo de Benjamin Netanyahu de “atos traidores e sujos” e advertiu que haveria consequências graves.
Al Mashat também fez um apelo internacional: “Chamamos todos os civis do mundo a evitar qualquer trato com bens que pertençam à entidade sionista. Às companhias que operam em Israel, minha advertência final é que saiam antes que seja tarde demais.”
Em outro trecho do discurso, o líder rebelde declarou: “A pura e nobre sangue iemenita, se derramado, fará cair tronos imperiais, quanto mais uma entidade desprezível e sem valor. Continuaremos enfrentando desafios diretamente, e vocês (Israel) jamais terão segurança.”
Apesar de um acordo de cessar-fogo firmado em maio com os Estados Unidos, que levou os hutis a suspender ataques contra interesses americanos, o enfrentamento com Israel se intensificou, com trocas de mísseis e bombardeios frequentes.
Após a morte do primeiro-ministro, a agência de notícias Saba, controlada pelos rebeldes, anunciou que Muhamad Meftah, vice-primeiro-ministro, assumirá interinamente os assuntos de governo enquanto ocorre uma reorganização da administração. O número exato de ministros mortos no ataque israelense ainda não foi divulgado.
Mesmo após a perda de parte do gabinete, o braço político dos hutis declarou que o governo rebelde e suas instituições continuam em condições de desempenhar suas funções e responsabilidades.