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As sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o regime do Irã voltaram a entrar em vigor na noite deste sábado (27), após a expiração do mecanismo acionado por Reino Unido, França e Alemanha (E3) em agosto. A medida é uma resposta ao descumprimento, por Teerã, de seus compromissos relacionados ao programa nuclear.
As tentativas de Rússia e China de adiar o prazo final fracassaram na sexta-feira no Conselho de Segurança da ONU. Com isso, as sanções — que incluem um embargo de armas, restrições financeiras e limitações comerciais — foram restabelecidas automaticamente às 20h de Nova York (00h GMT de domingo), dez anos após terem sido suspensas.
Neste cenário de escalada de tensões, os Estados Unidos enviaram uma mensagem direta ao Irã.
Washington Pede Diplomacia, Irã Resiste a Exigências
Washington instou o regime iraniano a buscar “conversas diretas” para reduzir as tensões e avançar em direção a uma solução negociada. O governo americano argumenta que o restabelecimento das sanções visa pressionar Teerã a retomar os compromissos nucleares e cooperar plenamente com a comunidade internacional.
“A diplomacia continua sendo uma opção: um acordo continua sendo o melhor caminho para o povo iraniano e para o mundo. Para que isso aconteça, o Irã deve aceitar conversas diretas, realizadas de boa-fé, sem demoras ou confusões“, escreveu o secretário de Estado, Marco Rubio, em comunicado, pedindo que outros países implementem as sanções “imediatamente”.
Enquanto isso, o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, que estava em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, classificou as exigências americanas como “irracionais”.
Irã Preferiu Sanções a Ceder Urânio Enriquecido
Pezeshkian afirmou que seu país prefere a restauração das sanções da ONU a aceitar exigências inaceitáveis dos EUA.
O mandatário detalhou que os Estados Unidos exigiram que o Irã entregasse mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60% — pureza próxima aos 90% necessários para uso militar — em troca de uma prorrogação de três meses antes do restabelecimento das sanções.
“Se tivéssemos que escolher entre aceitar as exigências deles e o reinício rápido das sanções, optamos pelo reinício rápido“, declarou Pezeshkian à televisão estatal iraniana. Ele argumentou que, mesmo cedendo, os EUA poderiam impor novas condições e reativar as sanções em poucos meses. Teerã insiste que o urânio altamente enriquecido está sob os escombros de instalações atacadas por EUA e Israel em junho.
Alerta Europeu e Resposta Iraniana
França, Reino Unido e Alemanha advertiram o Irã neste domingo (28) contra qualquer ação que possa aumentar a tensão após o restabelecimento das sanções.
Em comunicado conjunto, os ministros de Relações Exteriores do E3 declararam que a reimposição das sanções “não representa o fim da diplomacia”, mas pediram que Teerã “se abstenha de qualquer ação que possa escalar a situação” e retorne ao cumprimento de suas obrigações de salvaguarda.
O Irã, por sua vez, culpa os Estados Unidos pela situação, devido à sua retirada do acordo em 2018, e acusa os europeus de não cumprirem suas obrigações. Com a entrada em vigor das sanções, o Irã afirma que adotará retaliações, incluindo a suspensão de um acordo de cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA). O regime se mantém firme em não ceder o controle de seu programa nuclear.