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O Chile vai às urnas neste domingo (16) para escolher o novo presidente da República, em uma das eleições mais tensas e decisivas desde o retorno à democracia. Mais de 14 milhões de eleitores devem comparecer obrigatoriamente às urnas, em um pleito que também renovará 23 senadores e 155 deputados.
A campanha foi dominada pelo tema da segurança pública, impulsionado pela percepção de aumento da violência e do narcotráfico, frequentemente associado ao fluxo de migrantes irregulares. Relatórios recentes reforçam esse cenário: segundo a Atlas Intel, 53,1% dos chilenos veem a insegurança e o crime organizado como os principais problemas do país. Já a Fundação Paz Cidadã aponta que 24,3% da população sente alto temor diante da violência.
Embora seja um dos países mais seguros da América do Sul, dados do Ministério Público indicam aumento contínuo das taxas de homicídios desde 2016.
Desgaste de Boric fortalece candidatos da direita
A eleição ocorre em meio ao maior desgaste da popularidade do presidente Gabriel Boric desde o início do mandato. Com 62% de desaprovação em outubro, segundo a Cadem, o governo se tornou um fardo para a candidatura governista de Jeannette Jara, do Partido Comunista.
Jara lidera as pesquisas, mas está longe de garantir vitória no primeiro turno. Todos os cenários apontam para um segundo turno, no dia 14 de dezembro, contra José Antonio Kast, líder da direita radical e do Partido Republicano.
E as projeções indicam que Jara perderia para Kast e também para outros nomes da oposição, como o libertário Johannes Kaiser e a conservadora Evelyn Matthei, da direita tradicional (Chile Vamos).
Em movimento estratégico, Jara anunciou que abandonará sua filiação comunista e se distanciou de Boric, afirmando que não representa a continuidade do atual governo.
Completam a lista de presidenciáveis: Franco Parisi, Marco Enríquez-Ominami, Harold Mayne-Nicholls e Eduardo Artés.
Votação obrigatória e multas para ausentes
As urnas abrirão das 8h às 18h, e os eleitores podem consultar seu local de votação no site do Servel. Quem deixar de votar sem justificativa será multado entre 35.000 e 105.000 pesos (US$ 38 a US$ 113).
Entre as justificativas aceitas estão doença, viagem, distância acima de 200 km do local de votação ou funções atribuídas pela lei eleitoral. O procedimento poderá ser registrado pela Comisaría Virtual.
Eleitores que trabalham no domingo têm direito a três horas de liberação remunerada para votar.
Feriado obrigatório e fim da lei seca
Shoppings e centros comerciais estarão fechados devido ao feriado obrigatório. Mas, de forma inédita, não haverá lei seca no dia da eleição.
Com fortes tensões políticas, insegurança em alta e expectativa por uma reviravolta conservadora, o Chile se prepara para uma das votações mais imprevisíveis e polarizadas de sua história recente.