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As eleições presidenciais realizadas neste domingo no Chile confirmaram o que já apontavam as pesquisas: a candidata governista Jeannette Jara e o líder do Partido Republicano, José Antonio Kast, garantiram as duas primeiras posições e disputarão o segundo turno no próximo 14 de dezembro. Embora as sondagens previssem uma diferença mais apertada, Jara alcançou 26,58% dos votos, enquanto Kast somou 24,32%.
A surpresa da noite ficou por conta do economista e líder do Partido de la Gente (PDG), Franco Parisi, que conquistou 18,84% dos votos, especialmente impulsionado por forte desempenho na região de Valparaíso. A principal dúvida agora é para onde migrará esse eleitorado — analistas indicam que a maior parte tende a favorecer o candidato da direita.
Em quarto lugar apareceu o libertário Johannes Kaiser, com 13,92%. Posicionado “à direita da direita” no espectro político chileno, ele já havia declarado antes mesmo do resultado que apoiaria qualquer candidato no segundo turno, exceto Jeannette Jara. Após a apuração parcial, reiterou o apoio a Kast:
“Reconhecemos a vitória de José Antonio Kast e vamos respaldar sua candidatura na segunda volta”, afirmou.
A grande derrotada da eleição foi a representante da direita tradicional, Evelyn Matthei, candidata da coalizão Chile Vamos. Após liderar pesquisas por meses, terminou apenas em quinto lugar, com 13,25%. Matthei reconheceu a derrota rapidamente e declarou apoio explícito a Kast.
“São outros os escolhidos para seguir na disputa presidencial. A eles, meus parabéns”, disse, antes de seguir ao comando do republicano para demonstrar seu respaldo.
Na sequência vieram Harold Mayne-Nicholls (1,28%), ex-presidente da federação chilena de futebol; o independente Marco Enríquez-Ominami (1,16%); e o candidato de extrema esquerda Eduardo Artés, com 0,66%.
Os números preliminares foram divulgados após as 20h, com 52% das urnas apuradas, em uma eleição que mobilizou mais de 14 milhões de chilenos. Apesar do grande movimento, o processo ocorreu com normalidade, registrando apenas filas longas e pequenas discussões em alguns centros de votação de Santiago — muitas envolvendo mesários que atuavam pela primeira vez.
Reações dos candidatos
Jeannette Jara acompanhou a apuração em um hotel em Santiago, onde preparou o discurso apresentado em um grande palco montado na Alameda. Em sua fala, agradeceu aos eleitores e prestou solidariedade a Evelyn Matthei, que foi alvo de ataques virtuais durante a campanha.
“Um abraço fraterno a todos os que votaram em mim e também aos que não votaram. A democracia deve ser cuidada. Quero saudar Evelyn Matthei, que foi vítima de uma campanha terrível. Essas práticas não podem ser toleradas”, afirmou, em referência ao suposto uso de bots em ataques contra a adversária.
José Antonio Kast acompanhou os resultados com a família em casa e depois seguiu para o comando de campanha em Las Condes, onde apareceu ao lado de Matthei.
“O chamado que Evelyn faz aos chilenos para nos unirmos por uma causa que é o Chile é fundamental. O que peço agora é unidade”, declarou.
Matthei reforçou sua posição, afirmando que um novo governo é essencial para resolver os principais problemas do país.
“É muito importante apoiar Kast na segunda volta. Temos desafios enormes: segurança, economia, desemprego, orçamento desfinanciado e entrada descontrolada de migrantes. É preciso uma mudança firme de rumo”, disse.
Boric reconhece resultado e pede participação no segundo turno
O presidente Gabriel Boric também se pronunciou, parabenizando os dois candidatos que avançaram para o segundo turno.
“Felicito Jeannette Jara e José Antonio Kast. Confio que o diálogo e o respeito prevalecerão acima das diferenças”, disse, pedindo que os chilenos votem “com consciência” em 14 de dezembro.
Com o cenário atual, especialistas projetam um segundo turno favorável a Kast, que recebe apoios fundamentais do campo conservador.