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O presidente russo, Vladimir Putin, alertou nesta quarta-feira (17) que Moscou buscará ampliar seus avanços na Ucrânia caso Kiev e seus aliados ocidentais rejeitem as exigências do Kremlin nas negociações de paz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu início a uma ampla ofensiva diplomática para encerrar quase quatro anos de combates após a invasão em larga escala da Rússia contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. No entanto, os esforços de Washington têm esbarrado em demandas conflitantes entre Moscou e Kiev.
Em reunião anual com a cúpula militar, Putin afirmou que Moscou preferiria alcançar seus objetivos e “eliminar as causas fundamentais do conflito” por meios diplomáticos. Contudo, acrescentou que “se a parte opositora e seus patrocinadores estrangeiros se recusarem a participar de um diálogo substantivo, a Rússia alcançará a libertação de suas terras históricas por meios militares”.
Superioridade militar e “zona de segurança”
A Ucrânia e o Ocidente veem as ações da Rússia como uma violação da soberania e um ato de agressão não provocado. Por outro lado, Putin afirmou que “o exército russo tomou e mantém firmemente a iniciativa estratégica ao longo de toda a linha de frente” e avisou que Moscou tomará medidas para expandir uma “zona de segurança de amortecimento” na fronteira russa.
“Nossas tropas são diferentes agora, estão endurecidas pela batalha e atualmente não há outro exército assim no mundo”, declarou.
Putin elogiou o crescente poderio militar da Rússia, destacando a modernização de seu arsenal atômico. Ele mencionou o novo míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, com capacidade nuclear, que deve entrar oficialmente em serviço este mês. O Oreshnik foi testado pela primeira vez em novembro de 2024 contra uma fábrica ucraniana, e Putin alega que o projétil é impossível de ser interceptado.
O plano de paz em discussão
As declarações ocorrem após várias rodadas de conversas nesta semana entre autoridades ucranianas, americanas e europeias sobre um plano de paz redigido pelos Estados Unidos. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou após reuniões em Berlim que o documento pode ser finalizado em poucos dias, para então ser apresentado ao Kremlin.
As exigências de Putin, no entanto, são rígidas:
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Reconhecimento de Crimeia (anexada em 2014) e de quatro regiões chaves capturadas recentemente como território russo;
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Retirada de tropas ucranianas de áreas no leste que a Rússia ainda não capturou;
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Desistência oficial da Ucrânia de entrar para a OTAN;
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Garantia de que tropas da aliança não serão enviadas à região (sob risco de serem consideradas “alvos legítimos”).
Impasse nas garantias de segurança
Zelensky já sinalizou disposição em abrir mão da entrada na OTAN, desde que os EUA e o Ocidente ofereçam garantias de segurança semelhantes às da aliança. Contudo, ele rejeita ceder territórios que a Rússia não conseguiu tomar pela força.
O líder ucraniano descreveu o rascunho do plano discutido com os americanos como “não perfeito”, mas “muito viável”, ressaltando que Kiev e seus aliados estão perto de um consenso sobre as garantias de segurança. Entretanto, enfatizou que a questão central — o controle sobre o território — permanece sem solução.
(Com informações da AP)