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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, reúne-se neste domingo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida, para buscar o apoio de Washington a uma nova proposta de paz destinada a pôr fim ao conflito com a Rússia, que está a poucas semanas de completar quatro anos.
Em uma breve declaração à imprensa antes do encontro reservado, o presidente norte-americano afirmou que o plano para encerrar a guerra na Ucrânia está em sua “fase final”. “Acredito que estamos na fase final das negociações e veremos o que acontece. Caso contrário, isso vai se prolongar por muito tempo”, disse o líder republicano, acrescentando que não há um prazo definido para a conclusão do processo.
Trump também garantiu que haverá “um acordo sólido” para assegurar a segurança da Ucrânia, com a participação de países europeus. Após a reunião deste domingo, Trump e Zelensky devem manter uma conversa telefônica com aliados europeus.
Antes de entrar na residência para o encontro privado, Trump afirmou ainda que o presidente russo, Vladimir Putin, leva a paz “muito a sério”.
Mais cedo, Trump declarou que manteve uma conversa telefônica “boa e muito produtiva” com Vladimir Putin. “Acabei de ter uma conversa boa e muito produtiva com o presidente Putin, da Rússia, antes da minha reunião de hoje, às 13h, com o presidente Zelensky, da Ucrânia”, escreveu em sua rede social, a Truth Social.
O Kremlin confirmou o contato e informou que uma nova ligação telefônica deve ocorrer após o encontro entre Trump e Zelensky. “A conversa ocorreu em um ambiente amistoso”, disse aos jornalistas o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov. “Eles concordaram em voltar a se falar por telefone após a reunião entre o presidente norte-americano e Zelensky”, acrescentou.
O representante russo também enviou um recado a Kiev ao afirmar que a Ucrânia precisa “tomar uma decisão corajosa” e aceitar a retirada de suas tropas da região oriental do Donbass para “pôr fim” à guerra. “Para encerrar o conflito, Kiev deve tomar uma decisão corajosa. Seria sensato tomar essa decisão sobre o Donbass sem demora”, declarou.
A delegação ucraniana é composta pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov; pelo ministro da Economia, Oleksiy Sobolev; pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Andriy Hnatov; pelo assessor do Escritório da Presidência, Oleksandr Bevz; e pelo primeiro vice-ministro das Relações Exteriores, Serhiy Kyslytsia.
Pelo lado norte-americano, além do presidente republicano, participam o enviado especial Steve Witkoff, o principal assessor e genro presidencial Jared Kushner, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário da Defesa, Pete Hegseth.
O plano de 20 pontos, elaborado após semanas de negociações entre os dois países e representantes europeus, ainda não recebeu o aval de Moscou. O encontro ocorre pouco depois de um ataque russo de grande escala com mísseis e drones contra Kiev.
A reunião acontece na residência de Trump, em Mar-a-Lago, e marca o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde outubro, quando Trump rejeitou o pedido de Zelensky para o fornecimento de mísseis Tomahawk de longo alcance.
Durante uma escala no Canadá, no sábado, Zelensky afirmou esperar que as conversas com Trump sejam “muito construtivas” e avaliou que o recente ataque russo à capital ucraniana demonstra a recusa de Vladimir Putin em buscar uma solução negociada.
“Esse ataque é, mais uma vez, a resposta da Rússia aos nossos esforços de paz. Isso realmente mostrou que Putin não quer a paz”, afirmou o presidente ucraniano, reiterando sua posição firme diante dos constantes bombardeios russos contra áreas residenciais e infraestruturas críticas.
Ainda no Canadá, Zelensky participou de uma teleconferência com líderes europeus que, segundo o chanceler alemão Friedrich Merz, reafirmaram apoio às iniciativas de paz da Ucrânia. A Rússia, por sua vez, acusou Kiev e seus aliados europeus de tentarem “sabotar” um plano anterior negociado por Washington para interromper os combates.
Os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa, que participaram da ligação, garantiram que o apoio do bloco à Ucrânia continuará firme e prometeram manter a pressão sobre o Kremlin para alcançar um acordo.
“As garantias de segurança devem ser simultâneas ao fim da guerra, porque precisamos ter confiança de que a Rússia não voltará a iniciar a agressão”, afirmou Zelensky no Canadá, defendendo garantias sólidas e a discussão de suas condições.
A Ucrânia também reivindica maior apoio europeu e norte-americano em financiamento e armamentos, com destaque para o fornecimento de drones. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou, após encontro com Zelensky, uma nova ajuda financeira de US$ 1,82 bilhão para a reconstrução do país após o fim do conflito.
Até o momento, o ocupante da Casa Branca não manifestou apoio explícito à nova proposta de paz, embora tenha endossado o diálogo deste domingo. “(Zelensky) não tem nada até que eu aprove. Então veremos o que ele tem”, disse Trump.
As negociações devem tratar de um plano que prevê a interrupção da guerra nas atuais linhas de frente e pode envolver a retirada das forças ucranianas do leste, com a criação de zonas desmilitarizadas como áreas de amortecimento. A proposta representa o reconhecimento mais explícito até agora, por parte de Kiev, da possibilidade de concessões territoriais, embora não esteja prevista a renúncia ao controle dos cerca de 20% da região oriental de Donetsk ainda sob domínio ucraniano — principal reivindicação territorial da Rússia.
Trump tem colocado o fim das guerras na Ucrânia e em Gaza como eixo central de sua tentativa de conquistar um segundo mandato presidencial, apresentando-se como um “presidente da paz”.
(Com informações da AFP)