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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está disposto a apoiar ataques israelenses contra o Irã caso o país persista no fortalecimento de seus programas nuclear e de mísseis balísticos. A declaração foi feita nesta segunda-feira, antes de uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir a próxima fase do plano internacional de reconstrução da Faixa de Gaza.
Segundo Trump, Israel estaria pronto para agir de forma rápida se identificar avanços militares por parte do Irã. “Agora ouço que o Irã está tentando se fortalecer novamente, e, se estiver, teremos que derrubá-los. Vamos acabar com isso de vez”, disse o presidente a jornalistas. Em tom mais conciliador, ele acrescentou que espera que a situação não se confirme e afirmou ter informações de que Teerã estaria interessada em negociar um acordo, o que classificou como uma opção “muito mais inteligente”.
Autoridades israelenses vêm manifestando preocupação com a reconstrução da capacidade iraniana de mísseis de longo alcance. Durante o verão no hemisfério norte, os Estados Unidos bombardearam uma instalação de enriquecimento nuclear em Fordow, no Irã, na chamada Operação Midnight Hammer, após alertas do governo israelense. Trump tem reiterado que não permitirá que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
Polêmica sobre possível perdão a Netanyahu
Durante as declarações, Trump também afirmou ter interesse em conceder um perdão a Netanyahu diante das acusações de corrupção que pesam contra o primeiro-ministro israelense, dizendo que o documento estaria “a caminho” e elogiando a atuação do aliado, a quem chamou de “fenomenal”.
Pouco depois, o gabinete do presidente de Israel, Isaac Herzog, negou qualquer conversa sobre o tema. Em nota, a presidência israelense afirmou que não houve diálogo entre Herzog e Trump sobre um eventual perdão ao premiê.
Gaza, cessar-fogo e impasses
Este foi o primeiro encontro presencial entre Trump e Netanyahu desde a visita do presidente americano a Jerusalém, em outubro, quando anunciou um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Apesar disso, a trégua tem sido considerada frágil, com acusações mútuas de violações do acordo.
Um dos principais pontos de tensão envolve a questão dos reféns. O Hamas já devolveu 254 dos 255 reféns capturados no ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Netanyahu exige a devolução dos restos mortais de Ran Gvili, que permanecem em Gaza. Durante a visita aos Estados Unidos, o primeiro-ministro deve se encontrar com os pais do refém.
A reunião — a quinta entre Trump e Netanyahu neste ano — ocorre em meio à insatisfação de autoridades da Casa Branca com a lentidão na implementação da segunda fase do plano de paz apresentado pelo presidente americano.
Governo palestino e força internacional
A fase dois do acordo prevê a criação de um governo palestino tecnocrático, encerrando décadas de domínio do Hamas sobre a Faixa de Gaza. Também está prevista a reconstrução do território, sob supervisão de Trump e de um grupo internacional chamado Conselho da Paz.
O plano, aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU), concede ao Conselho da Paz um mandato de dois anos, renovável, para liderar a reconstrução de Gaza. Os integrantes do conselho ainda não foram anunciados, e a divulgação pode ficar para o próximo mês.
Outro ponto sensível envolve a segurança do território, que ficaria a cargo de uma força internacional após o desarmamento do Hamas. O grupo palestino, no entanto, tem resistido à entrega total de seu arsenal, defendendo apenas o “congelamento” ou armazenamento das armas.
Enquanto isso, ataques israelenses recentes em Gaza e a explosão de um artefato improvisado que feriu um soldado israelense na semana passada aumentaram as dificuldades para a consolidação do acordo.
Relação desgastada
O encontro também acontece após reportagens indicarem que autoridades de alto escalão da Casa Branca perderam a confiança em Netanyahu. De acordo com o site Axios, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e a chefe de gabinete Susie Wiles estariam frustrados com o premiê israelense.
Ainda assim, segundo fontes do governo americano, Trump permanece como um dos poucos líderes de peso que seguem apoiando Netanyahu, em meio às crescentes pressões diplomáticas e políticas.