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O governo do Irã elevou o tom contra a onda de protestos que atinge o país. O procurador-geral, Mohammad Movahedi Azad, advertiu que qualquer pessoa que participe ou colabore com as manifestações será considerada “inimiga de Deus” (moharebeh), crime que, pela legislação islâmica do país, é passível de pena de morte.
A ameaça, transmitida pela televisão estatal, surge em um momento de intensificação da violência e isolamento informativo. Segundo a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), a repressão já deixou ao menos 72 mortos e mais de 2.300 detidos em quase duas semanas de mobilizações.
Julgamentos rápidos e “sem compaixão”
Azad instruiu promotores a acelerarem os processos judiciais para garantir uma “confrontação decisiva” contra os manifestantes, a quem acusa de traição e de servirem a interesses estrangeiros. O procurador exigiu que a Justiça atue “sem indulgência, compaixão ou clemência”, estendendo a ameaça inclusive a quem apenas prestar auxílio logístico aos manifestantes.
Apagão de internet e violência nas ruas
Apesar das ameaças, os protestos se espalharam por cidades como Mashhad, Tabriz e redutos em Teerã. A confirmação do número exato de vítimas é dificultada por um bloqueio nacional de internet que já dura mais de 36 horas. Ativistas denunciam que o “apagão digital” imposto pelo regime visa ocultar violações de direitos humanos e impedir que imagens da violência cheguem à comunidade internacional.
Entre as vítimas confirmadas, organizações como a Iran Human Rights documentaram a morte de pelo menos nove menores de idade.
Reação Internacional e Crise Econômica
A comunidade internacional reagiu com dureza:
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União Europeia: A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou “pleno apoio” aos manifestantes e exigiu a libertação imediata dos detidos.
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Estados Unidos: O secretário de Estado, Marco Rubio, manifestou apoio ao povo iraniano contra a repressão.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, minimizou os protestos classificando os participantes como “vândalos” e culpando os EUA por fomentarem a desordem. No entanto, o estopim das manifestações, iniciadas em 28 de dezembro, é interno: o colapso da moeda local (rial), a inflação galopante e a crise econômica severa.
O que começou como uma reclamação sobre o custo de vida no Gran Bazar de Teerã rapidamente evoluiu para um questionamento direto ao regime teocrático, com a oposição no exílio convocando a população a “retomar os espaços públicos”.