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O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira um acordo apoiado pelo presidente Donald Trump para evitar os impactos mais graves de um fechamento governamental iminente, após a comoção provocada pela morte de dois manifestantes por agentes de imigração, que dificultou as negociações orçamentárias. A votação terminou com 71 votos a favor e 29 contra, em meio à pressão pública crescente depois da morte de Alex Pretti e Renee Good, ambos em Minneapolis.
Apesar da aprovação, um fechamento parcial do governo terá início no sábado, já que a Câmara dos Representantes só voltará a se reunir na segunda-feira, impedindo a ratificação do acordo antes da meia-noite de sexta. Os líderes do Senado afirmam, no entanto, que a legislação aumenta significativamente a chance de que o fechamento termine rapidamente, possivelmente em questão de dias, assim que a Câmara agir.
O impasse orçamentário foi impulsionado pela indignação democrata após os tiroteios fatais de Pretti e Good, ambos com 37 anos. Pretti, enfermeiro de UTI em hospital de veteranos, foi abatido em 24 de janeiro enquanto documentava com seu celular uma operação da Patrulha de Fronteira. Good, residente de Minneapolis, foi morta em 7 de janeiro por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas enquanto dirigia seu veículo.
Segundo analistas, essas mortes se tornaram um ponto de inflexão que endureceu a oposição democrata à liberação de novos recursos para o Departamento de Segurança Nacional sem mudanças substanciais na atuação das agências migratórias. O acordo negociado entre a Casa Branca e líderes democratas do Senado inclui a aprovação de cinco projetos de lei pendentes, que financiam a maior parte do governo federal até o final do ano fiscal, em setembro.
O financiamento do Departamento de Segurança Nacional, responsável pela aplicação das leis migratórias, foi separado do pacote principal e prorrogado por apenas duas semanas, por meio de medida provisória que permite mais tempo para negociações sobre mudanças na atuação do departamento. Trump endossou publicamente o acordo e pediu apoio bipartidário, destacando seu desejo de evitar um segundo fechamento em seu mandato, após uma paralisação recorde de 43 dias no verão passado.
O fechamento anterior, entre outubro e novembro de 2025, ocorreu devido a divergências sobre subsídios da Lei de Cuidados de Saúde Acessíveis. Durante 43 dias, cerca de 750 mil funcionários federais ficaram sem salário ou trabalharam sem pagamento, causando paralisação de serviços essenciais e impactos econômicos significativos.
Segundo a imprensa americana, a flexibilidade da Casa Branca foi interpretada como um reconhecimento da necessidade de moderar as políticas de deportação após os assassinatos em Minneapolis. Os democratas exigem o fim das patrulhas móveis nas cidades, maior coordenação com a polícia local em prisões migratórias, regras mais rígidas para ordens judiciais e código de conduta para responsabilizar agentes que violem normas.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, reforçou que “os agentes deveriam ter máscaras retiradas, câmeras corporais ligadas e portar identificação adequada”, como em outras agências policiais. Os republicanos responderam com suas próprias demandas, incluindo restrições a cidades-santuário, argumentando que não aplicam adequadamente as leis migratórias.
O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, havia bloqueado inicialmente o pacote na quinta-feira à noite, retendo o consentimento unânime necessário para acelerar a votação. Graham citou objeções à medida provisória para Segurança Nacional e ao texto aprovado na Câmara que proíbe senadores de processar o Departamento de Justiça caso seus registros telefônicos tenham sido apreendidos em investigações passadas, em referência à polêmica investigação Arctic Frost sobre o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Na manhã de sexta, Graham anunciou que permitiria que o projeto de lei avançasse se os líderes do Senado concordassem em realizar votações sobre legislação que ele apoia para restringir cidades-santuário. Caso a medida seja promulgada, os legisladores terão apenas duas semanas para negociar um financiamento anual completo para o Departamento de Segurança Nacional, um processo reconhecidamente politicamente complexo.