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Um documento recém-divulgado do FBI revela que o presidente Donald Trump teria telefonado pessoalmente ao chefe de polícia de Palm Beach, na Flórida, em 2006, para agradecer pela investigação de Jeffrey Epstein e instruir que se concentrasse na cúmplice do financista, Ghislaine Maxwell. A informação foi relatada pelo The New York Post, nesta terça-feira (10).
De acordo com o resumo de uma entrevista realizada em outubro de 2019 com Michael Reiter, que foi o principal policial da cidade entre 2001 e 2009, Trump foi “uma das primeiras pessoas a ligar quando soube que as autoridades investigavam Epstein por envolvimento sexual com meninas de até 14 anos, contratadas para lhe dar massagens”.
“Graças a Deus vocês estão parando ele, todo mundo sabia que ele estava fazendo isso”, teria dito Trump a Reiter na ligação, acrescentando que, em uma ocasião, “saiu de lá rapidamente” ao perceber que adolescentes estavam presentes com Epstein.
Segundo o documento, Trump também afirmou que havia expulsado Epstein do Mar-a-Lago e comentou que “as pessoas em Nova York sabiam que Epstein era repugnante”. Sobre Maxwell, Trump teria dito que ela era “operativa de Epstein”, instruindo o chefe de polícia: “ela é má, foque nela”.
O resumo do FBI, divulgado inicialmente pelo Miami Herald, não cita o nome de Reiter, mas os detalhes coincidem com informações públicas sobre seu papel na investigação de Epstein. Reiter relatou que conheceu Epstein após o financista denunciar um de seus funcionários por roubo.
O chefe de polícia detalhou ainda que Epstein teria feito doações à corporação: US$ 40 mil para compra de um equipamento de análise de câmeras de segurança, um cheque de US$ 90 mil (não descontado) para adquirir uma máquina de identificação por digitais, além de contribuições para um fundo de bolsas de estudo para crianças. Segundo ele, Epstein era apresentado como alguém que “apoiava a lei e era uma pessoa importante”.
A polícia de Palm Beach começou a receber denúncias sobre Epstein “no início dos anos 2000, talvez 2003”, conforme o resumo. Os policiais chegaram a montar um caso abrangente contra Epstein, incluindo processos por agressão sexual envolvendo co-conspiradores. No entanto, promotores estaduais teriam considerado as vítimas “não credíveis” e apresentado argumentos para invalidar detalhes do processo, fazendo com que o caso não avançasse em nível estadual.
O documento do FBI foi incluído em milhões de arquivos liberados pelo Departamento de Justiça relacionados a Epstein, que se declarou culpado em 2008 de solicitar sexo de menor na Flórida sob um polêmico acordo de não persecução, cumprindo 13 meses de prisão, grande parte em regime de trabalho externo.
Epstein foi novamente preso pelo FBI em julho de 2019 por tráfico sexual, mas foi encontrado morto em sua cela em Manhattan no mês seguinte, enquanto aguardava julgamento.
O documento do FBI veio horas depois de Maxwell, atualmente cumprindo 20 anos de prisão em uma penitenciária de segurança média no Texas, invocar a Quinta Emenda durante depoimento virtual fechado ao Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, se recusando a responder perguntas sobre sua amizade com Epstein ou seu papel no tráfico de jovens.
O advogado de Maxwell afirmou que a cliente falaria livremente caso recebesse clemência de Trump, mas a Casa Branca disse que nenhuma ação desse tipo está sendo considerada. Em julho, Trump disse sobre o caso: “Eu não consideraria nem não consideraria. Não sei nada sobre isso. Falarei com o Departamento de Justiça”.