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O Vaticano emitiu um alerta formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), comunidade tradicionalista com sede na Suíça, sobre o risco de incorrer em cisma caso siga com o plano de consagrar novos bispos sem a autorização do papa. A advertência foi transmitida pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, durante reunião realizada na quinta-feira (12) em Roma com o superior geral da FSSPX, reverendo Davide Pagliarani.
O encontro ocorre após o anúncio da fraternidade de que pretende realizar, em 1º de julho, uma cerimônia de consagração episcopal sem aprovação papal. A FSSPX justificou a medida alegando a necessidade de garantir a continuidade de suas atividades diante do envelhecimento de seus atuais bispos. Atualmente, segundo dados da própria fraternidade, são dois bispos, 733 sacerdotes e 264 seminaristas, além de diversas comunidades religiosas e fiéis espalhados pelo mundo.
O cardeal Fernández ofereceu à FSSPX a possibilidade de retomar o diálogo teológico para explorar alternativas de regularização do seu status, desde que a consagração seja suspensa. Em comunicado, o Vaticano enfatizou que a ordenação de bispos sem mandato papal constitui uma ruptura grave da unidade eclesial, sujeita à excomunhão automática, de acordo com o direito canônico. Fernández ressaltou que o consentimento do papa é essencial para a sucessão apostólica e a coesão interna da Igreja Católica.
A FSSPX foi fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, em Écône, Suíça, como reação ao Concílio Vaticano II e suas reformas, especialmente a introdução da língua vernácula na missa. Lefebvre já havia rompido com Roma em 1988 ao consagrar bispos sem autorização, o que resultou na excomunhão dos envolvidos e na criação de uma corrente paralela à estrutura oficial da Igreja. Desde então, a fraternidade expandiu suas atividades, estabelecendo escolas, seminários e paróquias que mantêm a liturgia tradicional em latim.
O Vaticano já buscou diversas vezes restabelecer a comunhão com a FSSPX. Em 2009, o papa Bento XVI levantou as excomunhões vigentes e permitiu maior flexibilidade na celebração da missa tridentina. Entretanto, sob o pontificado de Francisco, algumas restrições à missa em latim foram retomadas, o que, segundo os tradicionalistas, levou mais fiéis a se aproximarem da FSSPX.
Durante a reunião recente, o Vaticano propôs identificar pontos mínimos de acordo que permitam o retorno da fraternidade à plena comunhão e a definição de um status legal dentro da Igreja, condicionando qualquer avanço à suspensão das consagrações previstas. O padre Pagliarani afirmou que a proposta será discutida com o conselho da fraternidade antes de uma resposta definitiva.
Enquanto isso, a FSSPX defende que a consagração de novos bispos é uma medida “realista e razoável”, considerando o tamanho de sua comunidade e a necessidade de assegurar a continuidade de sua missão. O Vaticano, por sua vez, reforçou que a decisão final da fraternidade será determinante para o futuro das relações e para a posição da FSSPX em relação à Igreja Católica.
(Com informações da AFP e AP)