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O presidente Donald Trump estuda nomear o vice-presidente JD Vance como seu principal negociador com o Irã, às vésperas do início das conversas de paz em Islamabad, capital do Paquistão, programadas para esta sexta-feira (10). O objetivo é selar um acordo de trégua entre Washington e Teerã.
A possível escolha de Vance como líder da equipe de negociação se deve aos seus vínculos pessoais com o general Asim Munir, chefe do Exército do Paquistão, figura central na mediação que resultou em uma trégua de 15 dias em todo o Oriente Médio. Antes de anunciar formalmente a trégua, Trump conversou com Munir, agradecendo suas gestões junto à Guarda Revolucionária do Irã, atualmente detentora do poder real no país.
O enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, Steve Witkoff, sugeriu a Trump que Vance assumisse o papel de negociador principal em Islamabad, proposta que o presidente republicano deve aceitar. A delegação americana também incluirá Jared Kushner, genro de Trump, e Witkoff.
JD Vance é conhecido por defender que os EUA não se envolvam em conflitos globais e por suas divergências geopolíticas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que se mostrou cauteloso em relação às negociações com Teerã.
Desafios do acordo
Caso Vance assuma o papel, terá pela frente negociações complexas. O Irã apresentou um plano de 10 pontos, considerado difícil de aceitar pela Casa Branca:
- Garantia de não agressão por parte dos EUA.
- Continuação do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.
- Reconhecimento do direito do Irã de enriquecer urânio para seu programa nuclear.
- Eliminação de todas as sanções primárias sobre o país.
- Fim das sanções secundárias contra entidades estrangeiras que negociem com instituições iranianas.
- Cancelamento de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã.
- Fim das resoluções do AIEA sobre o programa nuclear iraniano.
- Pagamento de compensações por danos de guerra.
- Retirada das forças de combate dos EUA da região.
- Cessar-fogo em todos os fronts, incluindo o conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
O ponto 3 mantém o programa nuclear iraniano, sempre rejeitado pela Casa Branca, e o ponto 9 exige a retirada de tropas americanas, o que poderia tensionar alianças estratégicas com Israel e países da Liga Árabe. Já os pontos 2 e 8 demandam controle unilateral do Estreito de Ormuz e compensações financeiras por danos da guerra.
Apesar das exigências, Trump postou em sua rede Truth Social que o plano iraniano “constitui uma base viável para negociação” e que o prazo de duas semanas permitirá concretizar o acordo.
Israel acompanha com cautela
Antes do anúncio da trégua, Trump manteve contato com Netanyahu. O primeiro-ministro israelense apoiou a iniciativa de evitar confrontos durante a trégua, mas rejeita o plano de 10 pontos apresentado pelos aiatolás e segue desconfiado dos procedimentos diplomáticos iranianos.
As negociações formais entre Washington e Teerã começam nesta sexta-feira em Islamabad, e o mundo acompanha com atenção os próximos passos de um processo considerado incerto e delicado, que pode influenciar a estabilidade de todo o Oriente Médio.