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A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central do Brasil (BC), recolocou no centro das atenções o nome do banqueiro Augusto Ferreira Lima. Controlador da instituição desde julho de 2025, ele teve a indisponibilidade de bens determinada pela autoridade monetária no mesmo ato que atingiu o banco e uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM) ligada ao grupo.
Lima ganhou notoriedade no mercado financeiro após atuar como ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que também foi liquidado extrajudicialmente pelo BC em novembro de 2025. A trajetória empresarial do banqueiro inclui ainda a compra da rede de supermercados Cesta do Povo, durante o processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Prisão e investigações
Em novembro do ano passado, Augusto Lima foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investigou um suposto esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional. Ele também é alvo, junto a outros sócios ligados ao Banco Master, de uma ação judicial que cobra R$ 247 milhões no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
A cobrança está relacionada à fiança solidária em uma operação de emissão de debêntures no valor de R$ 470 milhões para a DV Holding. No processo, a família Rezende Barbosa, ex-controladora do Banco Voiter, acusa Lima de promover “blindagem patrimonial”, por meio da organização de bens em pessoas jurídicas apontadas como escudos para ativos imobiliários.
Antes mesmo da operação da PF, a Justiça de São Paulo já havia determinado o bloqueio de bens do empresário. Em abril de 2025, foram identificados R$ 112 milhões aplicados em uma conta em uma distribuidora de títulos posteriormente liquidada pelo Banco Central.
Relação com o Banco Central
Registros oficiais apontam que Augusto Lima participou de ao menos oito reuniões com membros da diretoria do Banco Central ao longo do último ano. Em uma delas, realizada em setembro, foi listado como diretor-presidente do Banco Pleno. Em outras ocasiões, constava como CEO do Banco Master.
As informações contradizem declaração da defesa apresentada em novembro passado, quando foi afirmado que o banqueiro havia se desligado definitivamente de funções executivas no Banco Master em maio de 2024.
Controle do antigo Voiter
O Banco Pleno era anteriormente conhecido como Banco Voiter e integrava o conglomerado do Banco Master até julho de 2025. A transferência do controle societário para Augusto Lima foi aprovada pelo próprio Banco Central em agosto daquele ano, quando a instituição passou a operar sob o novo nome.
Com a liquidação extrajudicial decretada nesta Quarta-feira de Cinzas, o futuro da instituição financeira ficará sob condução de um liquidante nomeado pelo BC, responsável por apurar a situação patrimonial e conduzir o processo de encerramento das atividades.
