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Bluetoothing
Uma prática perigosa e de baixo custo entre usuários de drogas está gerando um aumento alarmante nos diagnósticos de HIV em várias partes do mundo. Conhecida como “bluetoothing” ou “flashblooding”, a prática envolve injetar em si o sangue de outro usuário de drogas na tentativa de compartilhar o efeito do “barato” já injetado.
Nos Estados Unidos, onde a taxa de novos diagnósticos de HIV tem caído, especialistas demonstram preocupação com a possível disseminação do “bluetoothing”, dada a crise de uso de drogas no país. Cerca de 17% da população americana com 12 anos ou mais relata ter usado alguma droga ilícita no último mês.
Surto de HIV em Ilhas e África
Em ilhas do Pacífico e países africanos, o “bluetoothing” já mostra seus efeitos devastadores:
- Fiji: A prática está associada a um aumento de 11 vezes no número de casos de HIV na nação insular em apenas uma década. O número de pessoas vivendo com HIV saltou de menos de 500 em 2014 para cerca de 5.900 em 2024.
- África do Sul: Estima-se que cerca de 18% dos usuários de drogas no país usem o método, que está diretamente ligado aos altos índices de HIV na comunidade de usuários.
- Zanzibar (Tanzânia): Pesquisadores relataram que as taxas de HIV eram 30 vezes maiores em regiões onde a prática se estabeleceu.
Kalesi Volatabu, diretora executiva da ONG Drug Free Fiji, descreveu à BBC o que testemunhou:
“Eu vi a agulha com o sangue, estava bem ali na minha frente. Essa jovem, ela já tinha tomado a injeção e estava tirando o sangue, e então você tinha outras garotas, outros adultos, já fazendo fila para receber essa coisa.” Ela acrescentou: “Não são apenas agulhas que estão compartilhando, estão compartilhando o sangue.”
“A Maneira Perfeita de Espalhar o HIV”
Especialistas alertam que o “bluetoothing” é extremamente eficiente na transmissão do HIV, Hepatite e outras doenças, pois o vírus é transferido diretamente do sangue de uma pessoa infectada para a corrente sanguínea de outra.
Catharine Cook, diretora executiva da Harm Reduction International, classificou a prática ao New York Times:
“É a maneira perfeita de espalhar o HIV. É um alerta para os sistemas de saúde e governos, a velocidade com que se pode acabar com um pico maciço de infecção por causa da eficiência da transmissão.”
O Dr. Brian Zanoni, especialista em drogas da Universidade Emory, ressaltou que a principal motivação é econômica: “Em ambientes de pobreza severa, é um método barato de ficar ‘alto’ com muitas consequências. Você está basicamente conseguindo duas doses pelo preço de uma.”
Embora não haja confirmação de que o “bluetoothing” esteja amplamente estabelecido nos EUA, o país ainda enfrenta um desafio significativo com o uso de drogas injetáveis. Estima-se que 33,5% dos usuários americanos compartilhem agulhas, uma prática que, por si só, já oferece alto risco de transmissão viral.
Os dados mais recentes do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) mostram que houve um leve aumento nos novos diagnósticos de HIV nos EUA em 2023 (39.201 novos casos), com 518 deles associados ao uso de drogas injetáveis.
A prática do “bluetoothing” foi registrada pela primeira vez na Tanzânia por volta de 2010 e se espalhou rapidamente para países como Lesoto e Paquistão, onde seringas meio usadas com sangue têm sido vendidas.