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Estudo revela condição que pode triplicar risco de demência

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Um grande estudo nos Estados Unidos sugere que pessoas com diabetes tipo 1 têm quase três vezes mais chances de desenvolver demência em comparação com pessoas sem a doença. Já aqueles com diabetes tipo 2 apresentaram risco aproximadamente duas vezes maior. Os pesquisadores, porém, alertam que o estudo mostra apenas uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

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O diabetes engloba um grupo de condições metabólicas ligadas a problemas na produção ou ação da insulina, podendo causar danos aos vasos sanguíneos e inflamação. Por isso, pessoas com a doença muitas vezes apresentam outras condições de saúde associadas. Embora a relação entre diabetes e demência ainda não seja totalmente compreendida, pesquisas anteriores indicavam um risco elevado, especialmente para o tipo 2. Agora, evidências crescentes mostram que o diabetes tipo 1 também pode impactar a saúde cognitiva.

O estudo foi publicado na revista Neurology e analisou dados de 283.772 participantes do programa All of Us, uma iniciativa americana que vincula registros eletrônicos de saúde a pesquisas de longo prazo. Entre os participantes, 5.442 tinham diabetes tipo 1 e 51.511 diabetes tipo 2. A idade média foi de 64 anos, e o acompanhamento durou cerca de 2,4 anos.

Durante o período, 2.348 pessoas desenvolveram demência, incluindo:

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  • 144 com diabetes tipo 1 (2,6%)

  • 942 com diabetes tipo 2 (1,8%)

  • 1.262 sem diabetes (0,6%)

Após ajustes para idade, sexo, etnia e outros fatores, os pesquisadores concluíram que pessoas com diabetes tipo 1 têm quase três vezes mais risco de demência, enquanto o tipo 2 dobra esse risco em relação a indivíduos sem a doença. Mesmo considerando hábitos de vida, como tabagismo e consumo de álcool, o risco permaneceu elevado.

A autora do estudo, Annie Pederson, da Universidade de Boston, destacou:

“À medida que a expectativa de vida entre pessoas com diabetes tipo 1 continua a aumentar, esse risco elevado de demência destaca a importância de entender os desafios neurológicos que essa população pode enfrentar com o envelhecimento, e sublinha a necessidade de maior conscientização, monitoramento e estratégias de prevenção direcionadas.”

Os pesquisadores observaram que o risco elevado é consistente em todos os grupos demográficos, tanto entre homens quanto mulheres, e em diferentes raças e etnias. Apesar de o diabetes tipo 1 ser menos comum (menos de 5% dos casos), os achados sugerem que ele desempenha um papel importante no risco de demência.

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Segundo os especialistas, os mecanismos biológicos podem diferir entre os dois tipos de diabetes. No tipo 2, há resistência à insulina e complicações metabólicas que podem danificar o cérebro ou favorecer o acúmulo de proteínas associadas à doença de Alzheimer. No tipo 1, uma doença autoimune destrói as células que produzem insulina, e fatores como hipoglicemia recorrente, inflamação e estresse oxidativo podem aumentar o risco de declínio cognitivo.

Pederson acrescentou:

“Indivíduos com diabetes tipo 1 geralmente são diagnosticados em idades mais jovens, levando a uma duração mais longa da doença ao longo da vida, o que pode somar-se a um risco maior de demência. Embora diabetes tipo 1 e tipo 2 compartilhem algumas vias, o tipo 1 é biologicamente distinto e pode envolver mecanismos adicionais que devem ser mais estudados.”

O estudo também desenvolveu um algoritmo para diferenciar com precisão os dois tipos de diabetes, usando registros eletrônicos de saúde, uma vez que o uso de insulina e diagnósticos podem se sobrepor entre os tipos.

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Apesar das limitações — como o uso de registros eletrônicos e a não representatividade total da população americana —, os pesquisadores afirmam que os achados reforçam a importância de monitoramento cognitivo em pessoas com diabetes tipo 1, especialmente à medida que vivem mais tempo. Para os clínicos, isso significa que a saúde cognitiva deve ser considerada no cuidado a longo prazo do diabetes, buscando identificar riscos precocemente e adotar estratégias preventivas.

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