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Cientistas Se Aproximam da Causa da DemĂȘncia

(Pixabay)

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Uma pesquisa recente trouxe novas evidĂȘncias sobre a relação entre a mĂĄ qualidade do sono e o risco de demĂȘncia. Cientistas do Reino Unido analisaram as estruturas cerebrais de mais de 40 mil adultos e concluĂ­ram que a disrupção de um sistema de limpeza cerebral, chamado sistema glinfĂĄtico, impede a eliminação de resĂ­duos tĂłxicos, elevando a probabilidade de desenvolver a doença.

Publicado no periĂłdico Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association, o estudo sugere que o sono desempenha um papel “fundamental” na função glinfĂĄtica. Quando o sono Ă© interrompido de forma persistente, o sistema falha em sua função de impulsionar o fluido cerebrospinal (LCR) atravĂ©s do cĂ©rebro, dificultando a limpeza de “materiais tĂłxicos”.

A falha nesse sistema leva ao acĂșmulo de duas proteĂ­nas associadas Ă  doença de Alzheimer, a forma mais comum de demĂȘncia: amiloide e tau. O acĂșmulo dessas proteĂ­nas forma placas e emaranhados que prejudicam a função das cĂ©lulas cerebrais, afetando a memĂłria.

Abrindo Caminho para Novas Terapias

Os pesquisadores utilizaram um algoritmo em mais de 40 mil exames de ressonĂąncia magnĂ©tica para avaliar a função glinfĂĄtica. Eles identificaram trĂȘs biomarcadores associados ao comprometimento do sistema que podem prever um risco aumentado de demĂȘncia, incluindo a velocidade do fluxo do LCR e o tamanho do plexo coroide, local de produção do fluido.

O Dr. Yutong Chen, especialista em neurociĂȘncias clĂ­nicas da Universidade de Cambridge e coautor do estudo, destacou a importĂąncia das descobertas. “Embora devamos ser cautelosos em relação aos marcadores indiretos, nosso trabalho fornece uma boa evidĂȘncia em uma coorte muito grande de que a disrupção do sistema glinfĂĄtico desempenha um papel na demĂȘncia. Isso Ă© emocionante porque nos permite perguntar: como podemos melhorar isso?”, comentou.

Os achados abrem a possibilidade de que medicamentos existentes sejam reutilizados, ou que novos sejam desenvolvidos, para melhorar a função glinfåtica.

Fatores de Risco e Prevenção

O estudo tambĂ©m revelou que fatores de risco cardiovascular, como a pressĂŁo alta, prejudicam a função glinfĂĄtica e aumentam o risco de demĂȘncia.

O Dr. Hui Hong, coautor, acrescentou: “JĂĄ temos evidĂȘncias de que doenças de pequenos vasos no cĂ©rebro aceleram doenças como o Alzheimer, e agora temos uma provĂĄvel explicação para isso.”

Os pesquisadores sugerem que “estratĂ©gias para melhorar a dinĂąmica do LCR podem reduzir o risco de demĂȘncia”. Isso inclui a melhoria dos padrĂ”es de sono interrompidos e o tratamento imediato da pressĂŁo alta. As descobertas serĂŁo apresentadas na Ă­ntegra hoje no Congresso Mundial de AVC 2025 em Barcelona.

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