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Uma ampla revisão científica identificou associação entre padrões alimentares saudáveis e menor risco de declínio cognitivo em adultos. O estudo, considerado o maior observacional já realizado sobre o tema, aponta que dietas ricas em verduras, peixes e grãos integrais, com redução no consumo de carnes vermelhas e processadas, estão relacionadas a melhor desempenho mental ao longo do tempo.
A pesquisa foi publicada na JAMA Neurology e conduzida por Kjetil Bjornevik, professor assistente de epidemiologia e nutrição da Escola de Saúde Pública TH Chan, da Harvard University. O trabalho analisou dados de 159.347 profissionais de saúde dos Estados Unidos, integrantes do Estudo de Saúde de Enfermeiras (NHS), NHSII e do Estudo de Acompanhamento de Profissionais de Saúde (HPFS).
Entre os seis padrões alimentares avaliados, a Dieta DASH — sigla para Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão — apresentou a associação mais consistente com melhores resultados cognitivos. Também foram analisados o Índice de Alimentação Saudável Alternativo 2010, o Índice de Dieta Saudável Baseada em Plantas, o Índice de Dieta de Saúde Planetária e dois índices empíricos invertidos relacionados a padrões inflamatórios e hiperinsulinemia.
Segundo os pesquisadores, participantes com maior adesão a qualquer um dos padrões saudáveis apresentaram menor risco de declínio cognitivo subjetivo e melhor desempenho em testes objetivos. A Dieta DASH se destacou, seguida pelos modelos baseados em vegetais e pelo índice planetário. O consumo elevado de verduras e peixe foi apontado como fator central para os resultados positivos, enquanto a ingestão frequente de carnes processadas, batatas fritas e bebidas açucaradas esteve associada a piores escores cognitivos.
A Dieta DASH recomenda o consumo de frutas, verduras, grãos integrais, laticínios com baixo teor de gordura, peixes, aves, leguminosas, nozes e óleos vegetais, além da restrição de sódio, gorduras saturadas, doces e alimentos ultraprocessados. Em declaração destacada pelos autores, Bjornevik afirmou que padrões alimentares ricos em legumes, peixes e grãos integrais, com limitação de carnes processadas e açúcar, se associam de forma consistente a melhores desfechos cognitivos.
Os efeitos foram mais evidentes entre indivíduos que adotaram hábitos alimentares saudáveis na faixa dos 45 aos 54 anos. Para o neuropsicólogo Jason Brandt, da Johns Hopkins University, a avaliação repetida da dieta na meia-idade, antes da aplicação dos testes cognitivos, reforça a possibilidade de que a alimentação influencie a cognição — e não o contrário.
Apesar dos resultados, os autores apontam limitações. A maioria dos participantes era composta por mulheres brancas da área da saúde, o que restringe a generalização dos dados. Além disso, o declínio cognitivo subjetivo depende da autopercepção dos indivíduos, e a avaliação objetiva foi aplicada apenas a um subgrupo por meio de entrevistas telefônicas. Como se trata de estudo observacional, não é possível estabelecer relação de causa e efeito.
Ainda assim, os pesquisadores destacam a consistência dos achados entre diferentes modelos alimentares. A conclusão indica que padrões que priorizam verduras, peixe e grãos integrais, com redução de carnes processadas e bebidas açucaradas, podem contribuir para a preservação da função cerebral, especialmente quando adotados na meia-idade.