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O ministro chinês da Defesa, Dong Jun, está sendo investigado por suposta corrupção, conforme publicado nesta quarta-feira pelo jornal Financial Times (FT). Se a acusação for confirmada, ele será o terceiro titular consecutivo dessa pasta a enfrentar esse tipo de acusação.
Dong, de 63 anos, nomeado em dezembro do ano passado, substituiu no cargo o general Li Shangfu, que foi destituído sete meses após sua nomeação, após uma ausência inexplicada e notável da vida pública.
A situação de Dong faz parte de uma onda de investigações no setor militar ordenada pelo presidente chinês, Xi Jinping, segundo fontes oficiais dos Estados Unidos citadas pelo FT, que acreditam que a possível implicação do ministro reflete a abrangência das investigações.
Questionada sobre o relatório em uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, disse que se tratava apenas de “perseguir sombras” e não forneceu mais informações.
Victor Shih, especialista em política de elite da China, afirmou à AFP que Dong “provavelmente tinha autoridade sobre dezenas de bilhões em aquisições anuais” durante seu tempo na marinha. “O problema é que a competição pelos cargos mais altos é tão feroz que pode haver recriminações mútuas entre oficiais, o que leva a ciclos intermináveis de prisões, novas nomeações e recriminações”, explicou.
Benjamin Ho, do programa sobre China da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, de Singapura, disse à AFP que havia “algumas possibilidades” para a investigação mencionada. “Uma é que o processo de seleção esteja errado, ou a outra é que haja algum tipo de escândalo ou problema político pelo qual, neste caso, Dong Jun tenha tido que carregar com a culpa.”
Além dos dois ministros anteriores — Li e seu predecessor, Wei Fenghe, acusado de corrupção quando já estava aposentado —, caíram nos últimos meses, entre outros, os dois responsáveis pela Força de Cohetes, que comanda o programa nuclear da China.
Perda de confiança de Xi
As mesmas fontes que falaram com o FT sugeriram que as investigações no Exército Popular de Libertação (EPL) estão minando a confiança de Xi no estamento militar e gerando dúvidas sobre sua capacidade de invadir Taiwan até 2027, um objetivo que, segundo oficiais militares americanos, teria sido traçado pelo presidente chinês. Por isso, as purgas de Xi buscam colocar nas posições de comando mais importantes pessoas leais ao Partido Comunista Chinês.
Dong, veterano do EPL e ex-comandante da Marinha, foi visto publicamente pela última vez na semana passada, quando participou de uma cúpula dos ministros da Defesa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) realizada no Laos.
Neste evento, o representante chinês se recusou a se reunir com seu homólogo americano, Lloyd Austin, alegando que Washington “minava os interesses fundamentais” de Pequim na questão de Taiwan ao vender armas para a ilha.
Austin, em declarações à imprensa de Laos, qualificou como “lamentável” o desdém da China, chamando-o de “um passo atrás para toda a região”.
Os ministros de Defesa de ambas as potências haviam se encontrado pela primeira vez em junho, durante um fórum de segurança em Cingapura, o que marcou a retomada do diálogo bilateral de alto nível entre os dois países após a interrupção causada pela visita de Nancy Pelosi, então presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a Taiwan, em agosto de 2022.
(Com informações de EFE e AFP)