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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou nesta quinta-feira (31) que o decreto dos Estados Unidos que formaliza a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, apesar do impacto negativo, acabou sendo “melhor do que o esperado” e representa um “melhor ponto de partida” para as negociações que ainda terão prosseguimento.
Haddad afirmou que o governo federal está preparando medidas de apoio para os setores afetados pelo tarifaço, que deverão ser anunciadas nos próximos dias. O foco das ações será na proteção da indústria, na manutenção dos empregos e no agronegócio.
“Parte do nosso plano previsto vai ser apreciado para ser lançado nos próximos dias, de apoio, proteção à indústria brasileira, aos empregos no Brasil, ao agro também quando for o caso (…) À luz do que foi anunciado ontem [por Trump], vamos fazer a calibragem para que isso possa acontecer o mais rápido possível. Os atos já estão sendo preparados aqui na Fazenda para encaminhamento à Casa Civil. Penso que nos próximos dias vamos ter anúncios nessa direção”, disse Haddad em entrevista a jornalistas.
Entre as medidas previstas, o ministro citou a oferta de linhas de crédito para os setores que tiveram suas vendas externas aos Estados Unidos sobretaxadas. “Vamos analisar caso a caso”, afirmou.
Embora não tenha confirmado novas ações, Haddad ressaltou que o governo considera um plano de proteção ao emprego nos moldes do adotado durante a pandemia da Covid-19 — quando o governo pagava parte ou a íntegra dos salários de empregados do setor privado, em troca da garantia da manutenção desses empregos pelas empresas.
Segundo o ministro, caso esse modelo seja adotado, também pode haver adiamento de tributos, com prorrogação dos prazos para pagamento de impostos como Simples Nacional, FGTS e INSS patronal, além da suspensão de infrações por atrasos. No entanto, essas medidas ainda não estão confirmadas.
O governo brasileiro vai recorrer da decisão sobre o tarifaço tanto nos Estados Unidos quanto em organismos internacionais, afirmou Haddad.
Repercussão
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) manifestou preocupação com a decisão. Em nota divulgada na quarta-feira (30), a entidade destacou que a nova tarifa de 50%, somada à alíquota atual de 26,4%, compromete a viabilidade econômica das exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos.
Em 2024, o país importou 229 mil toneladas desse produto, e a previsão para 2025 era alcançar 400 mil toneladas.