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O Reino Unido, o Canadá e a Austrália anunciaram neste domingo (21) o reconhecimento formal do Estado palestino, em uma mudança histórica na política diplomática ocidental em relação ao conflito no Oriente Médio.
O Canadá foi o primeiro país do G7 a tomar a decisão. O primeiro-ministro Mark Carney comunicou a medida nas redes sociais e criticou duramente o governo israelense, afirmando que este “está trabalhando metodicamente para prevenir que a perspectiva de um Estado palestino seja jamais estabelecida”. Carney acrescentou que o “ataque sustentado em Gaza” matou dezenas de milhares de civis, desalojou mais de 1 milhão de pessoas e causou uma fome “devastadora e evitável”.
A Austrália seguiu o mesmo caminho, com o primeiro-ministro Anthony Albanese declarando que seu país reconhece “as aspirações legítimas e há muito tempo mantidas pelo povo da Palestina a um estado próprio”. Albanese, no entanto, condicionou o estabelecimento de uma embaixada e de relações diplomáticas ativas ao cumprimento de reformas solicitadas pela comunidade internacional à Autoridade Palestina.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer também confirmou o reconhecimento, descrevendo a decisão como parte de um “esforço internacional coordenado para preservar a possibilidade de uma solução de dois estados”. Starmer criticou a situação humanitária em Gaza, chamando-a de “intolerável”, e pediu ao governo israelense que “levante as restrições inaceitáveis na fronteira” e permita a entrada de ajuda humanitária. Os três líderes concordaram que o Hamas não pode ter nenhum papel no futuro Estado palestino.
As reações à decisão foram mistas. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em uma reunião de gabinete que a criação de um Estado palestino colocaria em perigo a existência de seu país e seria um “prêmio absurdo ao terrorismo”. Já o ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, pediu a anexação da Cisjordânia após o reconhecimento dos três países.
Do lado palestino, a resposta foi de satisfação. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, elogiou o Reino Unido, classificando a decisão como um “passo importante e necessário para o alcance de uma paz justa e duradoura”.
A decisão marca um afastamento da posição tradicional ocidental de condicionar o reconhecimento a um acordo de paz com Israel. Com estes novos reconhecimentos, mais de 140 dos 193 membros da ONU agora reconhecem a soberania palestina. Netanyahu tem agendado um discurso na Assembleia Geral da ONU e um encontro com o presidente americano, Donald Trump.