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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) determinou a apreensão do celular de Igor Dias Delecrode, de 28 anos, apontado como sócio de empresas envolvidas no esquema. A decisão foi tomada na segunda-feira (10), durante o depoimento do empresário à comissão.
Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a medida tem como objetivo “garantir a integridade das investigações”, já que Delecrode optou por não responder à maioria das perguntas, assegurado por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O aparelho, um iPhone 17 adquirido recentemente, foi entregue à comissão, mas sem a senha de acesso. A comissão autorizou o espelhamento do conteúdo, análise de dados armazenados em nuvem e perícia técnica para auxiliar nas investigações.
Delecrode é suspeito de desenvolver um programa para fraudar biometria e assinaturas digitais no INSS, o que teria permitido que descontos fossem realizados de forma irregular, aparentando legalidade. Entre as empresas investigadas estão a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap), a Amar Brasil Clube de Benefícios e a Master Prev, que teriam movimentado cerca de R$ 700 milhões em mensalidades descontadas de aposentados e pensionistas sem autorização.
Durante o depoimento, Delecrode limitou-se a informar que reside em São Paulo, é formado em auditoria financeira e atua no ramo de tecnologia e serviços. Ao ser questionado sobre a movimentação financeira bilionária de suas empresas e sobre o recebimento de R$ 15 milhões em menos de um ano, permaneceu em silêncio.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), criticou a postura do depoente e questionou a atuação do STF e de alguns membros da própria comissão: “O silêncio do depoente é um tapa na cara do povo brasileiro. Ele conseguiu justiça que o brasileiro comum não consegue. Há gente sendo blindada aqui [na comissão] e isso é vergonhoso”, afirmou.
A fraude foi revelada em abril pela Polícia Federal, que apontou descontos indevidos em benefícios do INSS entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões. O esquema resultou no afastamento de cinco servidores e na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).
Entre os investigados, destaca-se Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso em setembro por facilitar os descontos ilegais. A CPMI continua as apurações para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no esquema.