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Pela terceira vez consecutiva, a Corte de Apelação de Roma adiou a decisão sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. Em audiência realizada nesta quinta-feira (18), os juízes italianos acolheram um pedido da defesa e reagendaram a análise do caso para o dia 20 de janeiro de 2026.
Zambelli, que possui cidadania italiana, é considerada foragida pela Justiça brasileira após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela deixou o Brasil em maio deste ano e permanece presa na Itália, onde a Justiça local entende haver risco de fuga.
Estratégia de Defesa e Mudança de Cenário
Os advogados de Zambelli sustentam a tese de que ela sofre uma “perseguição política e judicial”. Para reforçar esse argumento, a defesa havia apresentado um parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contrário à cassação de seu mandato.
No entanto, o cenário jurídico mudou drasticamente nos últimos dias:
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No dia 11, a Primeira Turma do STF derrubou uma decisão da Câmara dos Deputados, declarando inconstitucional a manutenção do mandato;
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No último domingo, a própria Zambelli renunciou ao cargo de deputada federal.
Apesar da renúncia, a Justiça italiana foca na regra da “dupla imputação”: para que a extradição ocorra, o crime pelo qual ela foi condenada no Brasil também deve ser tipificado como crime na Itália.
O “Relatório Moraes” sobre a Colmeia
Um dos pontos centrais da audiência desta quinta seria a avaliação de um documento de 11 páginas enviado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. O texto responde a questionamentos dos juízes italianos sobre as condições carcerárias brasileiras.
No documento, o ministro fornece fotos e detalhes sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), onde Zambelli ficaria custodiada. Moraes destaca que:
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A unidade respeita padrões de salubridade, segurança e assistência médica;
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Nunca houve registro de rebeliões no local;
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São oferecidos cursos técnicos às detentas.
Próximos Passos
Caso a defesa apresente novos elementos até janeiro, os juízes poderão convocar uma nova audiência para examinar a documentação, abrindo também espaço para réplica da Advocacia-Geral da União (AGU), representada no processo pelo advogado italiano Alessandro Gentiloni. Até lá, a ex-deputada permanece detida em solo europeu.