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O Ministério das Relações Exteriores de Israel condenou nesta sexta-feira (3) as primeiras decisões adotadas por Zohran Mamdani, que tomou posse como novo prefeito de Nova York no início do ano. Em comunicado publicado na rede social X, o governo israelense afirmou que as medidas representam um retrocesso no combate ao antissemitismo.
“Mamdani mostra sua verdadeira face: elimina a definição de antissemitismo da IHRA e revoga restrições ao boicote contra Israel. Isso não é liderança. É jogar gasolina antisemita sobre um fogo já aceso”, afirmou o ministério.
A reação ocorre após Mamdani revogar ordens executivas assinadas por seu antecessor, Eric Adams, incluindo uma que reconhecia oficialmente a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e outra que proibia funcionários municipais de aderirem a boicotes e campanhas de desinvestimento contra Israel.
Críticas desde a eleição
As críticas do governo israelense ao democrata não são novas. Desde sua vitória nas eleições municipais de Nova York, em 4 de novembro, Mamdani passou a ser alvo de declarações duras por parte de autoridades israelenses, que o classificaram como “antissemita”, “islamista declarado” e “inimigo de Israel”.
Durante a campanha, Mamdani manifestou apoio ao povo palestino e fez críticas diretas ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, postura que intensificou o desgaste diplomático após sua eleição.
Perfil histórico
Aos 34 anos, Zohran Mamdani tornou-se o 112º prefeito de Nova York. Ele é o segundo mais jovem a assumir o cargo, o primeiro de origem sul-asiática e também o primeiro prefeito muçulmano da cidade. A cerimônia de posse ocorreu na virada do Ano-Novo, inicialmente em um evento privado, no qual ele prestou juramento sobre o Alcorão, segurado por sua esposa, Rama Duwaji. Posteriormente, houve um ato público com a presença do senador Bernie Sanders.
Revogação de ordens e reação interna
Entre as decisões mais polêmicas do novo prefeito está a anulação de todas as ordens executivas assinadas por Eric Adams após 26 de setembro de 2024, data em que o ex-prefeito foi formalmente indiciado. As revogações atingiram diretamente políticas relacionadas a Israel e ao combate institucional ao antissemitismo.
Apesar disso, Mamdani afirmou que a Oficina do Prefeito para Combater o Antissemitismo, criada na gestão anterior, continuará em funcionamento. “Levamos esse tema muito a sério. É parte do nosso compromisso com os nova-iorquinos judeus de protegê-los, valorizá-los e celebrá-los”, declarou.
A pasta apresentou seu primeiro relatório oficial no último dia de mandato de Eric Adams.
Postura sobre Israel gera controvérsia
Mamdani tem sido alvo de questionamentos por sua postura crítica em relação a Israel. Ele já se recusou a condenar a expressão “globalizar a intifada” e criticou Israel no dia 8 de outubro de 2023, um dia após o ataque do grupo terrorista Hamas no sul do país.
O prefeito também acusou Israel de cometer crimes de guerra durante a ofensiva na Faixa de Gaza e afirmou publicamente que ordenaria a prisão de Benjamin Netanyahu caso o premiê israelense visitasse Nova York.
As declarações e decisões iniciais do novo prefeito aumentam a tensão diplomática entre Israel e a administração da maior cidade dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que provocam forte debate político interno sobre os limites entre crítica a Israel e combate ao antissemitismo.