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Um vídeo registrado durante a enchente histórica que atingiu a cidade de Ubá, na Zona da Mata mineira, mostra a dramática resistência de Edna Almeida Silva, de 56 anos, que se agarrou a um poste por cerca de três horas para não ser arrastada pela enxurrada que destruiu sua casa e seu restaurante na madrugada de segunda-feira (23).
“Eu dei tudo o que eu tinha e o que Deus me deu para sobreviver. Foi um milagre, minha fé me salvou. E, dentro do possível, estou tentando me recuperar. Ontem já consegui jantar um pouquinho; hoje tomei um cafezinho”, contou Edna à imprensa local.
Na noite do desastre, ela estava em casa com o namorado, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, e o filho, de 31. A chuva, que começou fraca, intensificou-se durante a madrugada, e o rio atrás da residência transbordou, transformando-se em uma enxurrada violenta.
“Não tive tempo de raciocinar. A água subindo, subindo, subindo… fiquei submersa. A única coisa que me veio à mente foi pedir: ‘Senhor, não me deixe morrer afogada’”, relatou. As mãos de Edna encontraram um poste, que ela abraçou com todas as forças, usando detritos trazidos pela água para se manter acima do nível da enxurrada.
Um vizinho conseguiu lançar uma corda, mantendo Edna próxima ao poste até que o volume da água diminuísse. Resgatada por moradores por volta das 5h20 da manhã, a sobrevivente foi acolhida em uma casa vizinha antes de constatar a destruição do restaurante e da residência.
“Só sobrou a minha vida para recomeçar. Não tenho roupa, calçado, documentos… mas estamos vivos”, disse Edna, que agora acompanha as buscas pelo namorado, desaparecido na enchente. Familiares iniciaram uma campanha nas redes sociais para arrecadar doações e ajudar na reconstrução da vida da empresária.
A enchente histórica deixou um rastro de destruição na região: até a manhã desta quinta-feira (26), a Zona da Mata registrava 59 mortes confirmadas — 49 em Juiz de Fora e seis em Ubá —, além de 15 desaparecidos, sendo 13 em Juiz de Fora e dois em Ubá. O Corpo de Bombeiros mantém oito frentes de trabalho na região, seis em Juiz de Fora e duas em Ubá, para resgate e assistência às vítimas.