Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
Um estudo apresentado na Sessão Científica Anual do American College of Cardiology (ACC) revelou que consumir alimentos ultraprocessados (UPFs, na sigla em inglês) em excesso pode elevar significativamente o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardíacas.
UPFs incluem produtos como salgadinhos, biscoitos, refeições prontas, sorvetes e pães de forma, ricos em conservantes, adoçantes e aditivos artificiais. Segundo o cardiologista Amier Haidar, autor principal do estudo e pesquisador da University of Texas Health Science Center, “UPFs estão associados a um aumento do risco de doenças cardíacas, e embora muitos desses produtos possam parecer opções de refeição ou lanche convenientes, nossos resultados sugerem que devem ser consumidos com moderação.”
A pesquisa analisou dados de quase 7.000 adultos nos Estados Unidos, coletados entre 2000 e 2012, usando questionários alimentares para avaliar o consumo diário desses alimentos. Os participantes que consumiam mais UPFs ingeriam em média 9,3 porções diárias, enquanto os que menos consumiam tinham cerca de 1,1 porção por dia.
O estudo descobriu que nove porções diárias podem aumentar o risco de ataques cardíacos, AVC e doenças cardíacas em 67%. Cada porção adicional de UPFs foi associada a um aumento de aproximadamente 5% no risco de eventos cardíacos adversos. Entre participantes negros, esse risco chegou a 6,1% por porção extra, enquanto em pessoas não negras o aumento foi de 3,2%.
Dr. Haidar ressaltou que “independentemente da quantidade de calorias consumidas por dia ou da qualidade geral da dieta, o risco associado à maior ingestão de alimentos ultraprocessados era aproximadamente o mesmo”. Ele também alertou que não são apenas as calorias que preocupam, mas a forma como os alimentos são processados e os aditivos presentes.
Uma forma prática de identificar UPFs é observar ingredientes que normalmente não seriam usados em casa, como xarope de milho de alta frutose, proteínas hidrolisadas, intensificadores de sabor, corantes artificiais, adoçantes e espessantes. Produtos com longa data de validade também podem indicar excesso de conservantes.
Embora nem todos os UPFs sejam imediatamente prejudiciais — por exemplo, pão integral de supermercado ou homus ainda podem fazer parte de uma dieta saudável —, especialistas recomendam que cerca de 80% da alimentação diária seja composta por alimentos naturais ou minimamente processados, como carnes frescas, frutas, vegetais, queijos, nozes, grãos integrais e leguminosas.
O sistema de classificação NOVA, criado por pesquisadores brasileiros, categoriza os alimentos em quatro grupos, do mais natural ao ultraprocessado, ajudando a identificar produtos que devem ser consumidos com moderação.