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Polícia Militar de São Paulo investiga soldados por comemoração do massacre do Carandiru

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A Polícia Militar do Estado de São Paulo iniciou um procedimento interno para investigar a conduta de soldados que comemoraram o massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992, e que teve repercussão internacional. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, uma turma recém-formada da PM celebra a invasão que resultou na morte de 111 presos, no presídio localizado na Zona Norte de São Paulo.

O vídeo foi gravado no Regimento de Cavalaria, durante a formatura de 225 soldados do Batalhão de Choque da PM. Entre parentes e oficiais, os novos militares exaltam o 1º Batalhão de Choque e as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA). Os recém-formados gritam declarando que o grupo que invadiu o Carandiru “acalmou a casa de detenção”.

A Comissão de Direitos Humanos da Alerj cobrou explicações à PM sobre a suspeita de racismo.

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“Lá só tinha lixo, a escória da moral! Foi dado pista quente para derrubar geral! Corpos mutilados e cabeças arrancadas!”, gritam e cantam os recrutas. Ao declamar o ano “1992”, quando ocorreu o massacre, os novos policiais ironizam: “A caveira já estava sorrindo para o detento!”

Os soldados exaltam ainda o nome do comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães. “A minha continência, coronel Ubiratan!”, gritam, em referência ao oficial, que fez carreira política após deixar a PM. Ubiratan foi eleito deputado estadual com o número 111, numa alusão à quantidade de presos mortos. O coronel foi condenado pelo massacre, mas depois absolvido pela Justiça paulista. Ele foi assassinado em casa, em 2006. A Polícia Civil e o Ministério Público concluíram que ele foi morto pela namorada.

Em outro trecho do vídeo, os recrutas comparam o trabalho da tropa de choque a uma caça: “Grita, ladrão! Sua hora vai chegar! Escola de choque tá saindo pra caçar!”. O vídeo, que tem milhares de visualizações, foi postado em um perfil chamado ‘Ganharia Brasil’, especializado em conteúdo militar e definido pelo administrador como de “altíssima qualidade”.

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Cláudio Aparecido da Silva, ouvidor das polícias paulistas, declarou: “Definimos a abertura de um procedimento na Ouvidoria [da PM] e encaminhamos à Corregedoria da Polícia Militar. O que a gente acha daquele vídeo: absurdo, uma coisa que não condiz com a nossa realidade democrática.”

O comando da PM divulgou uma nota afirmando que a conduta dos novos policiais será investigada.

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