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A Associação de Baianas de Acarajé (Abam), com sede em Salvador, divulgou nesta sexta-feira (1º) uma nota de repúdio contra versões modificadas do acarajé tradicional, vendidas em Aracaju (SE) e Maceió (AL). As adaptações incluem recheios doces e morangos, em uma tentativa de associar o quitute ao popular “morango do amor”.
Os bolinhos, apelidados de “acarajé do amor”, despertaram indignação entre representantes da cultura alimentar baiana. Em nota, a Abam afirmou que não aceita “qualquer tipo de alteração na receita e no modo de preparo dos quitutes”, classificando a mudança como “sem propósito”.
“Somos empreendedoras ancestrais e focadas na tradição deixada por nossos antepassados, sem surfar nas influências contemporâneas sem propósito”, diz o comunicado da associação.
Patrimônio imaterial da cultura brasileira, o acarajé tem origem na língua iorubá — àkàrà je significa “comer bola de fogo” — e foi trazido ao Brasil por pessoas escravizadas oriundas do Golfo do Benim, na África Ocidental. Tradicionalmente preparado com feijão-fradinho, cebola e sal, o bolinho é frito em azeite de dendê e servido com vatapá, caruru, camarão seco e vinagrete.
Por séculos, o preparo do acarajé foi mantido pelas baianas, que antigamente passavam horas descascando o feijão manualmente. Hoje, com o insumo já disponível sem casca, o tempo de produção foi reduzido, mas o sabor e a essência da receita continuam preservados.
A associação reforça que o acarajé vai além da comida: é um elemento religioso, cultural e econômico que sustenta milhares de famílias e mantém viva a herança africana no Brasil.