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O juiz federal Eduardo Appio, lotado na 18ª Vara de Curitiba, se tornou alvo de um processo administrativo disciplinar por decisão da Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que também decidiu manter sua suspensão do cargo.
Appio é suspeito de ter supostamente furtado duas garrafas de champanhe Moët, avaliadas em cerca de R$ 500 cada, em um supermercado de Blumenau (SC). De acordo com boletim de ocorrência, o primeiro furto teria ocorrido em 20 de setembro de 2025 e o segundo em 4 de outubro. O suspeito foi descrito como um homem de aproximadamente 72 anos, com 1,76 m de altura e usando óculos, que deixou o local dirigindo um Jeep Compass Longitude, veículo registrado em nome do magistrado.
A investigação, conduzida inicialmente pela Polícia Civil de Santa Catarina, foi encaminhada ao TRF-4 após a identificação de que o suspeito era um juiz federal, já que apenas o tribunal possui competência para investigar magistrados de primeira instância. Ulisses Gabriel, Delegado-Geral da Polícia Civil, afirmou: “O fato é que investigamos um furto e chegamos a um juiz. A documentação, inclusive as filmagens, foram enviadas ao TRF-4”.
Este não é o primeiro episódio polêmico envolvendo Appio. Poucos meses após sua transferência para Curitiba, ele foi afastado da Operação Lava Jato pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após ter ligado para o filho do advogado João Malucelli, questionando sobre suas atividades profissionais. Na época, o magistrado negou qualquer tom ameaçador na ligação, mas não retornou à Vara de Curitiba desde então.
Em 2023, Appio ainda atuou nos processos da Lava Jato antes de ser transferido definitivamente da operação. Até seu afastamento atual, ele atuava em processos previdenciários na 18ª Vara de Curitiba.
Em entrevista à imprensa local, o juiz afirmou que está apresentando defesa administrativa e alegou que o TRF-4 teria sido induzido a erro. “Refutaremos mais esta fake news política em juízo e confiamos na prudência do TRF-4”, declarou, acrescentando que o caso teria envolvimento político de um delegado de Blumenau, candidato pelo União Brasil em 2026. O delegado-geral Ulisses Gabriel negou qualquer vínculo político: “Desconheço algum delegado vinculado ao União Brasil que seja candidato em 2026”.
O TRF-4, por sua vez, não detalhou as circunstâncias da investigação, apenas confirmou que o afastamento do magistrado foi mantido e que o procedimento administrativo disciplinar foi instaurado. A Justiça Federal do Paraná informou que não se manifestará sobre os fatos.
A Polícia Civil detalhou ainda que o supervisor do supermercado forneceu a placa do veículo utilizado pelo suspeito, que levou os investigadores até o magistrado. O caso segue sob investigação do TRF-4, que avaliará a conduta do juiz e poderá determinar sanções administrativas dependendo do resultado do processo.