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Mensagens trocadas pelo bilionário norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede internacional de exploração sexual, voltaram a expor conexões do esquema com o Brasil. Entre os e-mails divulgados pelo governo dos Estados Unidos na sexta-feira (30), após a liberação de milhões de documentos confidenciais do caso, aparece uma troca de mensagens de agosto de 2012 que menciona a modelo brasileira Luma de Oliveira.
Na conversa, Epstein questiona seu associado, o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel: “Eike Batista, namorada? Você mencionou isso para mim”. Brunel responde prontamente: “Eu mencionei a Luma de Oliveira. Ele era ou é casado com ela”. Na época do diálogo, Luma e Eike já estavam separados há oito anos. Embora o contexto exato da menção não esteja claro, o diálogo reforça o monitoramento constante que Epstein fazia sobre personalidades brasileiras.
Jean-Luc Brunel é descrito nos arquivos como um dos principais elos de Epstein com o Brasil. Depoimentos e documentos indicam que o agente francês acionava contatos para fornecer garotas ao norte-americano, inclusive durante viagens de Epstein ao país. Um testemunho prestado à Justiça da Flórida, em 2010, afirma que Brunel intermediava o acesso a mulheres e adolescentes para prostituição por meio de uma rede de contatos locais.
Brunel construiu carreira como agente de modelos no mercado internacional e foi cofundador da agência MC2 Model Management, nos Estados Unidos, criada com financiamento de Epstein. Ao longo dos anos, ele foi acusado por diversas mulheres de abuso sexual, com relatos de que usava sua posição no mundo da moda para se aproximar de jovens sob a promessa de contratos profissionais.
Preso em 2020 no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, quando tentava embarcar para o Senegal, Brunel aguardava julgamento quando foi encontrado morto na cela, em 2022. As autoridades francesas classificaram a morte como suicídio. Ele também era investigado por suspeita de participação na rede global de pedofilia atribuída a Epstein.
Os novos arquivos também revelam o interesse direto de Epstein no mercado de modelos brasileiro. Em outubro de 2016, quase três anos antes de sua morte, o bilionário trocou e-mails com o associado Ramsey Elkholy sobre a possível compra de uma agência de modelos no Brasil. Segundo os documentos, o objetivo era “ter acesso a garotas”. Elkholy chegou a apresentar um relatório sobre grandes agências do país, como Elite, Ford Models e L’Équipe, sugerindo estratégias para atrair jovens sem experiência por meio de concursos. A Ford Models negou qualquer negociação e afirmou não se lembrar do episódio.
De acordo com levantamento da BBC News Brasil, ao menos 4 mil menções ao Brasil já foram identificadas nos chamados Epstein Files. Os registros incluem e-mails, mensagens, fotos e recortes de notícias envolvendo o financista e referências a personalidades brasileiras
