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A voz humana pode se tornar uma ferramenta promissora na detecção precoce do câncer de garganta, segundo estudo publicado nesta terça-feira (12) na revista Frontiers in Digital Health. Pesquisadores identificaram alterações específicas na fala de homens com câncer de laringe que podem ser reconhecidas por sistemas de inteligência artificial (IA) treinados.
As mudanças vocais estão relacionadas a lesões nas cordas vocais — estruturas musculares localizadas na laringe responsáveis pela produção de som. “Poderíamos usar biomarcadores vocais para distinguir as vozes dos pacientes com lesões nas cordas vocais dos que não têm essas lesões”, afirmou o pesquisador principal, Dr. Phillip Jenkins, pós-doutorando em informática clínica na Universidade de Ciências da Saúde do Oregon, nos Estados Unidos.
A detecção precoce da doença é considerada crucial. Em 2021, foram registrados cerca de 1,1 milhão de casos de câncer de laringe no mundo, com aproximadamente 100 mil mortes. Os principais fatores de risco incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool e infecção pelo vírus HPV. Segundo os pesquisadores, a taxa de sobrevivência em cinco anos pode chegar a 78% quando o diagnóstico é feito em estágio inicial, mas cai para 35% em casos avançados.
O estudo analisou mais de 12.500 gravações de voz de 306 pessoas na América do Norte, incluindo pacientes com câncer de laringe, lesões benignas e outros distúrbios vocais. Os resultados mostraram que homens com câncer apresentavam alterações significativas na relação harmônico-ruído — métrica que avalia o nível de ruído na fala — além de variações no tom vocal.
Embora não tenham sido identificadas diferenças vocais entre mulheres com a doença, os pesquisadores acreditam que um conjunto de dados maior poderá revelar padrões semelhantes. O próximo passo será ampliar a base de dados e testar a eficácia da IA em ambientes clínicos.
“Ferramentas de saúde baseadas na voz já estão sendo testadas”, disse Jenkins. “Com mais dados e validação clínica, tecnologias semelhantes para detectar lesões nas cordas vocais podem entrar em testes piloto nos próximos anos.”