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O dólar voltou a recuar frente ao real nesta sexta-feira (10), encerrando o dia próximo da marca de R$ 5,00, em meio ao aumento do apetite por risco nos mercados internacionais e à melhora do cenário geopolítico envolvendo Estados Unidos e Irã.
A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 1,03%, cotada a R$ 5,01 — o menor nível de fechamento desde abril de 2024. Este foi o terceiro pregão consecutivo de baixa. Na semana, a divisa acumulou desvalorização de 2,90% e, no ano, já recua 8,72%.
No mercado futuro, o dólar para maio — o contrato mais negociado na B3 — também registrou queda, recuando 0,94% no fim da tarde, aos R$ 5,0345.
O movimento de queda do dólar ocorre em sintonia com o cenário internacional. Investidores reagiram positivamente ao avanço nas negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu a busca global por ativos considerados seguros, como a moeda americana.
Apesar de ainda haver entraves — como as restrições no estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo —, a expectativa de uma solução diplomática tem favorecido moedas de países emergentes, incluindo o real, o peso mexicano e o peso chileno.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operava em queda e voltou a ficar abaixo dos 100 pontos, reforçando a tendência de enfraquecimento da divisa americana no exterior.
No cenário doméstico, dados de inflação também influenciaram o mercado. O IBGE informou que o IPCA subiu 0,88% em março, acima das expectativas do mercado. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,14%.
O resultado reforçou a percepção de que o Banco Central deverá adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. A expectativa predominante agora é de um corte menor na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
Esse cenário amplia o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, fator que costuma atrair capital estrangeiro para ativos brasileiros, especialmente renda fixa, contribuindo para a valorização do real.
De acordo com análise de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a combinação de fatores externos e internos tem sustentado a queda do dólar.
O alívio geopolítico, somado a dados de inflação mais comportados nos Estados Unidos, reduziu a demanda por proteção. Ao mesmo tempo, no Brasil, o ambiente de juros elevados e inflação pressionada favorece a entrada de recursos estrangeiros, tanto na renda fixa quanto na Bolsa.
Esse fluxo ajudou a impulsionar o real, levando o dólar a atingir mínima intradiária de R$ 5,007 — o menor patamar em cerca de dois anos.
Durante o pregão, o Banco Central também atuou no mercado, realizando a venda de 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem de vencimentos, contribuindo para a liquidez e estabilidade do câmbio.