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O ex-apresentador da CNN Don Lemon foi preso na noite de quinta-feira após um protesto contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) que interrompeu um culto religioso em uma igreja no estado de Minnesota. A informação foi confirmada por seu advogado.
Segundo Abbe Lowell, que representa Lemon, o jornalista foi detido por agentes federais em Los Angeles, onde cobria a cerimônia do Grammy Awards. Lemon passou a noite detido e deve fazer sua primeira aparição judicial nesta sexta-feira, de acordo com Brian Stelter, analista de mídia e ex-colega do jornalista na CNN.
A defesa afirma que Lemon estava no local atuando exclusivamente como jornalista e que sua presença no protesto estaria protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa.
“O papel do jornalismo é lançar luz sobre a verdade e responsabilizar os que estão no poder”, declarou Lowell, acrescentando que Lemon pretende contestar as acusações de forma rigorosa na Justiça.
Don Lemon integrava um grupo de dezenas de manifestantes que interromperam a celebração religiosa na Cities Church, em St. Paul, durante um culto realizado no último domingo. Ainda não foi divulgado oficialmente quais acusações formais pesam contra ele, mas autoridades indicam que o caso pode envolver violação da chamada Lei de Execução de 1871.
Conhecida também como Lei da Ku Klux Klan, a legislação proíbe a conspiração para interferir em direitos civis protegidos, incluindo o direito ao livre exercício da religião. Originalmente, a norma foi criada para combater ações violentas e intimidações promovidas por grupos extremistas.
De acordo com a procuradora-assistente de Direitos Civis do Departamento de Justiça, Harmeet Dhillon, Lemon teria tentado evitar acusações de conspiração criminal alegando que estava apenas “exercendo o jornalismo” durante a invasão à igreja.
Vídeos publicados pelo próprio Don Lemon antes, durante e depois do protesto, no entanto, indicariam que ele participou ativamente da ação. Em uma das gravações, o jornalista afirma ter feito um reconhecimento prévio com ativistas, incluindo integrantes do Black Lives Matter de Minnesota, que se reuniam em um estacionamento próximo ao local.
“Eles estão planejando uma operação que vamos acompanhar. Não posso dizer exatamente o que é, mas se chama Operação Pull-Up”, afirmou Lemon em um dos vídeos. Em outro momento, ele diz que se tratava de uma “ação surpresa” e que o destino do grupo não poderia ser revelado antecipadamente.
O caso segue em apuração pelas autoridades federais, enquanto a defesa sustenta que Lemon atuava como repórter no momento da ação e não como manifestante.