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Michel Barnier, primeiro-ministro da França, pode ver seu governo chegar ao fim em tempo recorde devido à crescente oposição a seu plano de austeridade, que visa cortar gastos e aumentar impostos para equilibrar as finanças públicas. O governo de Barnier está prestes a enfrentar uma moção de censura no Parlamento francês, que reflete a insatisfação generalizada entre os parlamentares com as medidas apresentadas.
A moção foi apresentada depois que Barnier tentou aprovar parte do orçamento do governo para 2025, incluindo um pacote de 60 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos. Para isso, ele recorreu a uma cláusula constitucional que permite aprovar o orçamento sem a necessidade de votação parlamentar, uma manobra já utilizada por Emmanuel Macron no ano passado para implementar a reforma previdenciária controversa. Contudo, essa estratégia deu margem para que deputados da oposição apresentassem moções de censura, que foram rapidamente endossadas por partidos de esquerda e da extrema-direita.
A moção de censura será votada nesta quarta-feira (4), com grande probabilidade de aprovação. Caso isso aconteça, Barnier será forçado a deixar o cargo, e o presidente Macron terá que nomear um novo primeiro-ministro, mas sem a garantia de estabilidade política, dado o atual quadro fragmentado do Parlamento.
A crise política que levou à atual situação tem raízes em decisões anteriores de Macron, que dissolveu a Assembleia Nacional e antecipou as eleições legislativas após a derrota de seu partido nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas em junho. A divisão do Parlamento, agora composto por três grandes blocos — a coalizão de esquerda Nova Frente Popular, os centristas aliados de Macron e o partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional — dificultou a formação de uma maioria estável.
No centro da disputa está o orçamento de austeridade proposto por Barnier, que é amplamente criticado pela esquerda e pela extrema-direita. A falta de diálogo entre o governo e os opositores intensificou ainda mais a tensão política. A aprovação da moção de censura exige 288 votos, e, embora a oposição tenha mais de 330 cadeiras, a abstenção de alguns deputados pode alterar o resultado.
Se Barnier for destituído, Macron terá que encontrar um novo líder para o governo, mas a instabilidade política provavelmente persistirá até as próximas eleições legislativas, que só podem ocorrer a partir de julho de 2025. Enquanto isso, o governo poderá recorrer ao uso de decretos para garantir o funcionamento de serviços essenciais e a arrecadação tributária, embora a implementação de novos gastos, como o reforço do orçamento militar de 3,3 bilhões de euros, possa ser afetada.